Opinião: A vidência mítica de Bolsonaro que nos ludibria o caos

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A última semana foi marcada pela operação da Polícia Federal que prendeu o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro. Vivêssemos em condições normais, o país estaria escandalizado pela suposição de que um ministro poderia estar envolvido em um esquema que envolvia cobrança de propina por liberação de verbas para a educação. Porém estamos num Brasil que normalizamos o absurdo e seguimos o baile. Até que surgiram os poderes preditivos do presidente Jair Bolsonaro.

Milton Ribeiro já não tinha cumprido o rito regular de alguém que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Ao invés de ir para o foro onde houve a determinação, como aconteceu tantas vezes durante a Lava Jato, o ex-ministro ficou em São Paulo, enquanto a defesa buscava um habeas corpus que o liberasse da prisão. Um desembargador que deseja ser ministro do Superior Tribunal de Justiça foi quem sentenciou o novo destino. Antes mesmo de se deslocar para Brasília, o pastor foi libertado e vai responder ao processo fora da prisão, ainda que corra o risco de destruir provas.

O esquema dos pastores no MEC e no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) é absurdo sob qualquer viés. Fosse ele nos governos de José Sarney, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff ou Michel Temer, as panelas estariam tilintando em janelas. Agora, o silêncio é manifesto, junto com o aval para o discurso de que não há corrupção em um governo que nasceu sob o estigma da rachadinha. Milton Ribeiro virou ícone da nova perseguição ao mítico presidente da República, que nunca sabe de nada e que é sempre uma vítima da sociedade.

O episódio de interferência superior na PF, que veio a público com a mensagem de um delegado e corroborada com os grampos telefônicos autorizados pela Justiça, foi a cereja do bolo dessa semana atribulada nos corredores da União. Para evitar que o assunto se mantivesse em pauta, houve até a esforço de acusar uma criança de 11 anos de homicida após ela finalmente conseguir o direito de abortar. A sorte dos brasileiros é que temos um vidente no exercício da presidência. Talvez por isso a gente não esteja a enxergar o caos instalado. Acreditamos em vidência, em mitos e até que não há corrupção nos governos.

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