Barroso prorroga suspensão de despejos e desocupações até depois das eleições

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Famílias que tiveram problemas com os pagamentos de imóveis durante a pandemia ganharam mais prazo para acertar as prestações. Isso porque o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, prorrogou até 31 de outubro a suspensão de despejos e desocupações. A proibição vale para áreas urbanas e rurais. O ministro pediu que seja convocada uma sessão plenária virtual nos dias 4 e 5 de agosto para análise do tema pelo colegiado. O ministro citou o novo pico de casos da Covid-19 em junho, às vésperas da liminar perder validade, para justificar a medida.

Barroso destacou ainda que as quase 150 mil famílias que estão à beira de perder o local onde moram fazem parte da parcela mais pobre da população. O especialista em direito imobiliário Marcelo Tapai explicou, em entrevista à Jovem Pan News, os limites da decisão: ???Estabelece o despejo de imóveis não residenciais ou imóveis comerciais, cujo valor de locação é de até  R$ 1,2 mil por mês, e para imóveis residenciais a locação cujo o valor é de até R$ 600 mensais. Ou seja, acima destes valores os despejos podem ser realizados normalmente. Também a retomada de imóveis de invasão estão proibidas, exceto aqueles que estiverem em áreas de risco???.

A decisão já foi prorrogada há um ano e o ministro Barroso destacou que com a melhora na crise sanitária os limites da jurisdição vão se esgotar e, por isso, é preciso de um regime de transição. O magistrado acrescenta que, embora possa caber ao tribunal a proteção da vida e da saúde durante a pandemia, não cabe a ele traçar a política fundiária e habitacional do país. Marcelo Tapai alerta para o risco de haverem despejos em massa quando a decisão do STF perder a validade.

????? papel do Congresso e do Executivo também. O Executivo de promover políticas públicas para de alguma forma fomentar a habitação com financiamento e imóveis de interesse social. E o Legislativo tem que pensar alguma forma de escalonar estes despejos. Então eles podem ocorrer de forma gradual, conforme as datas que foram propostas as ações. O STF, embora tenha poder para prorrogar esta decisão, ele está para julgar e não fazer legislação???, argumenta o advogado.

O próprio ministro ressaltou em sua decisão que um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados busca disciplinar medidas sobre desocupação e remoção coletiva forçada após 30 de julho, quando originalmente a liminar do Supremo perderia validade. O texto ainda guarda designação de relator na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.

*Com informações da repórter Nanny Cox

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Operação Agulha Oculta investiga coordenador legislativo por venda de Mounjaro paraguaio

Operação Agulha Oculta, da Polícia Civil de São Paulo, mira um suposto esquema de importação irregular e venda de tirzepatida — conhecida como...

Lava Jato: executivos são condenados a até 14 anos de prisão por fraude em licitações

A Justiça Federal no Paraná condenou seis executivos e operadores financeiros envolvidos em contratos fraudados com a Petrobras, em uma etapa remanescente da...

Operação Agulha Oculta investiga coordenador legislativo por venda de Monjaro paraguaio

Operação Agulha Oculta investiga a venda de Monjaro paraguaio e resultou na apreensão de 22 ampolas de tirzepatida, além de celulares, seringas, embalagens...