Improvável pedido de ACM Neto por desistência de Jerônimo esconde desejo de não aliança

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A espuma criada em torno da desistência da candidatura de Luciano Bivar à Presidência da República pelo União Brasil não passou disso. Lógico que o cacique, que deteve por muito tempo o controle da mala do PSL, tentaria valorizar o próprio passe. Tanto que até o absurdo da desistência da campanha de Jerônimo Rodrigues ao governo da Bahia chegou a ser cogitada, como contrapartida para uma adesão do União Brasil ao projeto de Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto.

 

Essa condição envolvendo a Bahia era tão improvável que mostra que o interesse do União beneficiar o PT era quase nulo. Para os petistas, a campanha de Jerônimo é parte da estratégia de demarcar espaço em um dos estados mais relevantes sob controle do partido no Brasil. Abrir mão disso, por mais que o sucessor de Rui Costa tenha vida difícil na disputa, é abordar qualquer esforço para manter o projeto de poder até aqui mais bem sucedido do petismo no Brasil. Difícil, para não classificar como impossível.

 

Se o grupo de ACM Neto fez esse pedido, foi porque sabia que não seria atendido. Como Bivar é uma espécie de Rainha Inglaterra da legenda, essa proposta foi uma tentativa de saída honrosa para o devaneio de uma candidatura presidencial dele. O embrião do DEM dentro da sigla reúne o antipetismo histórico do país – anterior a onda bolsonarista de 2018. Então, não seria esperado um entendimento com o PT.  Por isso, Bivar costurou um acordo que o beneficiasse ele em Pernambuco – e se exploda qualquer eventual impacto negativo nos aliados. “Farinha pouca, meu pirão primeiro”, já diziam os antigos.

 

ACM Neto teve que lidar com as consequências disso. Na Bahia, sobraram ataques dos petistas baianos ao que eles chamaram de “medo de Jerônimo”. Apanhou feito mala velha e ouviu ironias sobre “amarelar” da disputa. Até aqui, ele não respondeu diretamente, mas o presidente do União Brasil na Bahia, Paulo Azi, chamou o episódio de “peça de ficção”. Não chegou a tanto, mas é algo bem próximo. Porém o estrago já foi feito nos núcleos políticos das conversas. E esse tema deve ser repetido em outras oportunidades ao longo da campanha, visto que a desistência de ACM Neto em 2018 também não foi esquecida.

 

Na convenção de Jerônimo no sábado (30), isso foi e voltou em mais de uma oportunidade. E deu a tônica tanto quanto as reiteradas citações a Lula. Para quem está atrás nas pesquisas – apesar do petismo jurar não acreditar nos levantamentos -, esses serão pontos cruciais: defender o “time de Lula” como grande puxador de votos e atacar o alvo a ser batido pela campanha, ACM Neto. Bivar, pelo menos, parece ter conseguido garantir votos para ser reeleito deputado. E quem acreditou que o União Brasil apoiaria Lula no primeiro turno caiu do cavalo. A estratégia da campanha mista deve ser usada com parcimônia e vai garantir a sobrevivência política de todos os envolvidos. Gostem os petistas ou não.

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