Autor de ‘Todas as Flores’ matou 8 personagens com mudança para streaming

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Oito personagens “assassinados”. Foi a decisão mais difícil que João Emanuel Carneiro teve que tomar quando soube que “Todas as Flores” não iria mais substituir “Pantanal” na faixa das 21h da Globo, como estava previsto desde o final do ano passado. O autor ainda teve que cortar quase a metade dos capítulos previstos para produção, que ainda tinha o nome provisório de “Olho por Olho”. Ao migrar da TV aberta para o Globoplay, a história passou de 150 para 85 capítulos.

Na festa de lançamento de “Todas as Flores”, ocorrida na segunda (24), no Rio de Janeiro, João Emanuel desmentiu boatos de que teria ficado decepcionado com a decisão da emissora em antecipar “Travessia”, de Glória Perez, e colocar sua obra no streaming. “Gostei de verdade. Por duas razões: primeiro porque significou um desafio para mim. Uma coisa nova. Segundo por ter menos capítulos. Sempre achei 180 um número exagerado”, justifica o autor que diz ter mudado um pouco a história.

“Tive que deixar a trama mais concisa e, por isso, aconteceram as ‘mortes’ dos personagens. Fui eliminado alguns núcleos, mas não mudei muito a história, não. A novela acabou ficando mais enxuta e, sinceramente, acho que isso vai acontece daqui por diante”, afirma ele, que dividiu “Todas as Flores” em duas partes -a segunda só estreia no primeiro semestre do próximo ano.

João Emanuel Carneiro negou sentir pressão por estrear em um momento tão conturbado como esse, próximo ao segundo turno das eleições presidenciais e às vésperas da Copa do Mundo do Qatar. Para ele, o problema maior continua sendo “Avenida Brasil”. A novela de 2012, também escrita pelo autor, é considerado um dos grandes sucessos de todos os tempos da teledramaturgia.

Vale lembrar que o último capítulo, exibido em 19 de outubro de 2012, esvaziou as ruas das maiores cidades do país e atingiu 51 pontos no Ibope (cada ponto equivalia a 60 mil domicílios na Grande SP na época). O final foi visto por 80 milhões de brasileiros.

“Até hoje, as pessoas falam de Carminha, Tufão e Nina. Sempre querem que você supere aquele sucesso e enquanto isso não acontece, você segue trabalhando”, comenta o autor.

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