Bruno Reis é a bola da vez da oposição na Bahia, apesar do protagonismo de ACM Neto

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Após a derrota nas urnas, a oposição ao PT na Bahia deve passar por um processo de reorganização. A figura do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), continua sendo central nesse processo, embora ele tenha se frustrado ao final dos dois turnos da eleição 2022. E o atual gestor da capital baiana, Bruno Reis (União), terá que arregaçar as mangas, retornar à articulação e evitar que haja uma dispersão grande do grupo. Por isso tanta atenção para a eventual reforma administrativa a ser realizada no Palácio Thomé de Souza.

 

Até o primeiro turno, quando ACM Neto ainda tinha uma perspectiva de vitória, as contas eram sobre como acomodar os aliados no virtual governo dele no âmbito estadual. Após a primeira abertura das urnas, o pêndulo mudou favoravelmente para Jerônimo Rodrigues (PT), mas, ainda assim, o oposicionista manteve ascendência sobre partidos e figuras políticas. Ali existia a possibilidade – mesmo que remota – de chegar ao poder e redistribuir os espaços. O segundo turno enterrou de vez as chances.

 

Então, todos aqueles que estiveram no entorno desse grupo político vão demandar por acomodação. A lista não é pequena e inclui desde o próprio ACM Neto até Cacá Leão (PP), candidato derrotado ao Senado. As chances do ex-prefeito chegar a uma secretaria municipal são praticamente nulas, mas a hipótese de alocar Cacá não estaria descartada. Mas esses são os nomes de grife. O desafio é arrumar espaço para outros, aqueles que muitas vezes não aparecem à frente dos holofotes.

 

Para a “sorte” de Bruno Reis, a debandada de MDB e de partes do PSC e do Cidadania diminuiu a disputa por essas vagas “menores”. Abriu espaço para a chegada do PL, de João Roma, que, por enquanto, se pinta como uma via alternativa à dicotomia entre o PT e o grupo de ACM Neto. O prefeito de Salvador sabe costurar a manutenção e a ampliação das alianças e provou essa capacidade em outros momentos. No entanto, é a primeira vez que Bruno tem que lidar com um padrinho enfraquecido – é do gestor soteropolitano a caneta mais potente sob o comando desse agrupamento.

 

As negociações serão intensificadas ao final da primeira metade da gestão dele e vão antecipar o debate sobre a reeleição em Salvador, natural para uma quem senta na cadeira. Desde que chegou à prefeitura, Bruno não vive na sombra de ACM Neto, apesar da oposição insistir nessa tese – e até consegue emplacar esse viés, como foi possível ver durante a campanha eleitoral. O prefeito terá que ser hábil o suficiente para se desvencilhar das eventuais armadilhas que vão jogar para tentá-lo contra ACM Neto e com uma eventual soberba de ser o maior nome oposicionista.

 

Bruno Reis é a bola da vez da oposição. Mas não dá para descartar os 47% dos votos que ACM Neto teve na corrida pelo governo da Bahia.

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