Mendonça diverge de Rosa Weber e vota pela constitucionalidade do orçamento secreto

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou pela constitucionalidade das emendas de relator, também chamadas de emendas de RP-9 e conhecidas como Orçamento Secreto. Nesta quinta-feira, 15, após abertura da sessão em plenário, o ministro leu seu voto, que contraria a posição da relatora da matéria, ministra Rosa Weber, presidente da Corte, que se posicionou pela inconstitucionalidade das emendas. Mendonça negou que as emendas representem um “orçamento paralelo” e defendeu que trata-se da elaboração compartilhada ou mesmo orçamento participativo entre o Executivo, o Congresso e a sociedade. Na visão dele, reconhecendo problemas com a falta de transparência, o caminho mais adequado para a solução é “apontar parâmetros e critérios em consonância com o texto constitucional”. Por isso, ele propõe prazo de 60 dias para que o Congresso Nacional garanta às emendas de relator os mesmos níveis de transparência das emendas individuais e de bancadas. “Promover modificações a com finalidade de garantir as emendas de relator geral similar níveis para garantir transparência e publicidade nos ideais regulatórios nas emendas impositivas.

O julgamento teve início nesta quarta-feira, 14, com voto de Rosa Weber pelo fim das emendas de relator. Ao longo da sua exposição de mais de três horas, a magistrada citou histórico de casos de corrupção orçamentária envolvendo o Congresso Nacional brasileiro, relembrando escândalos como o Caso PC Farias e os Anões do Orçamento, e ressaltou a “incapacidade” dos congressistas para identificar os autores das emendas e a destinação dos recursos, o que torna o atual modelo “incompatível com a ordem constitucional e republicana”, defendeu Weber, falando ainda em “balconização do orçamento”. “Por isso trata-se de um orçamento secreto, não se sabe quem são os parlamentares integrantes do grupo privilegiado, não se conhecem as quantias administradas individualmente, não existem critérios objetivos e claros para realização das despesas, tão pouco observam-se regras de transparência na sua execução”, pontuou a presidente da Corte. De acordo com ela, citando ofício apresentado pelos presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP) e Rodrigo Pacheco (PSD), apenas 70% dos deputados e 85% dos senadores deram transparência das despesas de emendas de relator, o que a ministra considera insuficiente. Segundo ela, foram identificados apenas R$ 10,9 bilhões dos R$ 36,9 bilhões desembolsados nos exercícios de 2021 e 2022. Ou seja, menos de um terço do valor total gasto.

*Texto em atualização

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Flávio: busca por armas na casa de Bolsonaro foi “constrangedora”

Resumo: a Polícia Federal cumpriu uma ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes para uma busca e apreensão na residência do ex-presidente...

Croácia anuncia saída de Zlatko Dalic após quase nove anos no comando

Zlatko Dalic encerra sua passagem pela Croácia após quase nove anos no comando, com 111 partidas, 62 vitórias, 20 empates e 29 derrotas,...

FBI procura testemunhas em investigação de fraude na AFA

A FBI abriu uma investigação sobre a atuação da Associação de Futebol Argentino (AFA), sob suspeita de fraude e lavagem de dinheiro durante...