Escolhas de Tarcísio o afastam de igreja que controla seu partido

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

São Paulo – Seja na definição do secretariado, seja na representação do governo na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), as escolhas de Tarcísio de Freitas desagradaram a cúpula do Republicanos e afastaram ainda mais o governador da Igreja Universal, que controla o seu partido.

Nenhum dos três secretários nomeados por Tarcísio que são filiados ao Republicanos — Helena Reis (Esportes), Roberto Lucena (Turismo) e Sonaira Fernandes (Mulher) — é ligado à Universal ou foi diretamente indicado pelo deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional do partido e bispo licenciado da igreja.

O desprestígio do grupo político ligado ao bispo Edir Macedo, líder da Universal, ficou ainda mais evidente na última sexta-feira (13/1), quando Tarcísio indicou o deputado Jorge Wilson (Republicanos), conhecido como “Xerife do Consumidor”, para ser líder do seu governo na Alesp.

Jorge Wilson é apontado como sucessor político do deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), não pertence à igreja, e acabou ficando com o posto de líder do governo na Alesp que era cobiçado pelo deputado correligionário Gilmaci Santos, este sim pastor da Universal.

A ala evangélica do partido, que é majoritária, ficou inconformada com a escolha de Tarcísio, sem qualquer negociação com a bancada de deputados estaduais e com a cúpula da legenda presidida por Marcos Pereira. Alguns parlamentares ficaram sabendo da opção pelo “Xerife do Consumidor” pela imprensa, nesta semana.

Esta foi a segunda derrota do grupo apenas na Alesp. Antes de reivindicar a liderença do governo, Gilmaci Santos pleiteava a presidência da Casa, mas Tarcísio fez um acordo com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, logo após a eleição, para apoiar o deputado André do Prado (PL) para o comando do Legislativo.

Dentro do Republicanos, as escolhas de Tarcísio foram interpretadas como mais um sinal de que o governador de Sâo Paulo não deve permanecer muito tempo no partido pelo qual foi eleito e que investiu R$ 14 milhões em sua campanha.

O destino mais provável é o PSD de Gilberto Kassab, fiador da candidatura de Tarcísio e que virou homem forte da nova gestão ao ser nomeado secretário de Governo, pasta encarregada da articulação política na Alesp e que terá R$ 1,8 bilhão para repassar a prefeitos neste ano por meio de convênios.

Como o Metrópoles mostrou em outubro do ano passado, a rusga entre Tarcísio e o grupo político ligado à Igreja Universal vem desde a campanha eleitoral, a ponto de o então candidato a governador não ter feito nenhuma agenda nas dependências da igreja de Edir Macedo.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

“Precisamos dar mais visibilidade ao samba”, defende compositor Edil Pacheco em meio ao Carnaval 2026

Edil Pacheco, com 50 anos dedicados ao samba, se emociona ao ser lembrado na programação oficial do Carnaval de Salvador. “Foi uma honra....

Compra on-line revelou esquema bilionário envolvendo chineses e PCC

Esquema bilionário entre chineses e PCC envolve fraudes fiscais e comércio online, aponta investigação A Polícia Civil de São Paulo, em parceria com a...

Margareth Menezes destaca diversidade no retorno aos Mascarados e despista sobre Lula na festa: “Está querendo ver”

Margareth Menezes retornou oficialmente como puxadora de trio no Carnaval de Salvador, conduzindo o Bloco Os Mascarados no Circuito Dodô (Barra/Ondina) nesta quinta-feira...