Suzano e Veracel são alvo de ação do Ministério Público Federal para proteger territórios tradicionais do extremo sul da Bahia

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

A ação (ver na íntegra) do Ministério Público Federal (MPF) visa proteger os territórios e o modo de vida das comunidades quilombolas de Cândido Mariano, Helvécia, Volta Miúda, Mutum, Mota, Naiá, Vila Juazeiro e Rio do Sul e das comunidades indígenas de Comexatibá e Barra Velha do Monte Pascoal, todas localizadas no extremo sul da Bahia.

Essas comunidades convivem com o impacto do plantio de eucalipto na região. A medida cobra providências urgentes para conter o avanço irregular da atividade econômica e reparar os danos causados.

A ação foi proposta contra a União, o Estado da Bahia, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e as empresas de celulose e papel Suzano e Veracel. Segundo o MPF, a expansão da eucaliptocultura vem ocorrendo com o fomento do poder público e a completa ausência de medidas de proteção socioambiental e cultural. A ação aponta ainda a omissão do Estado no cumprimento de tratados internacionais e de normas de caráter constitucional e legal que asseguram o direito dos povos tradicionais à consulta prévia, livre e informada sobre atividades, empreendimentos e decisões que os afetem.

De acordo com a denúncia, a prática é encorajada por órgãos estatais como o Inema, que concede licenças às empresas sem exigir o cumprimento das exigências legais, especialmente a consulta prévia às populações afetadas.

As indústrias de papel e celulose também contam com incentivos fiscais e apoio financeiro do poder público. Em 2004, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) repassou R$ 1,4 bilhão à Veracel para a implantação da fábrica em Eunápolis (BA). Já em 2006, a Suzano recebeu R$ 2,6 bilhões para a expansão da fábrica em Mucuri (BA).

O MPF também requer que o Inema seja condenado a suspender as licenças ambientais concedidas às empresas Suzano e Veracel até que sejam realizados os devidos processos de consulta prévia, livre e informada. Além disso, o órgão ambiental estadual deve solicitar anuência ao Iphan em relação às áreas onde há sítios arqueológicos.

Também pede que a Justiça determine às empresas Suzano e Veracel a paralisação imediata de todas as atividades de eucaliptocultura realizadas em áreas de comunidades tradicionais, bem como o recuo progressivo dos plantios próximos a nascentes, lagos e rios, residências ou prédios históricos, culturais ou de uso comum, respeitando as distâncias previstas legalmente.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mãe e filha de 9 anos fogem de casa para escapar de agressões no sudoeste da Bahia

Resumo: Uma mulher de 42 anos e a sua filha, uma menina de 9, fugiram neste sábado, 11, de um ciclo de violência...

Suspeito de estupro em Salvador é preso por reconhecimento facial em Feira de Santana

Resumo curto: Um homem com mandado de prisão aberto por estupro de vulnerável foi preso na manhã deste domingo, em Feira de Santana,...

Castro Alves recebe etapas do Campeonato Brasileiro de Enduro pela terceira vez consecutiva

Castro Alves, na Bahia, sedia entre os dias 17 e 19 de abril as etapas 3 e 4 do Campeonato Brasileiro de Enduro...