Emiliano José lança na Flica “As comadres estão chegando”

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Quarto volume da série #MemóriasJornalismoEmiliano, o ebook “As comadres estão chegando” já está à venda na Amazon e será lançado pelo escritor e jornalista Emiliano José no dia 27 de outubro, às 10h, na programação da 11ª Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica). O livro foca na abertura das redações dos jornais locais, até então ambientes majoritariamente masculinos, para as mulheres, a partir do final dos anos 1970, início dos 80. E elas foram chegando com tanta vontade que, atualmente, são maioria em alguns veículos, ocupando todos os cargos.

 

As protagonistas dos capítulos, publicados diariamente na página de Emiliano no Facebook, são Isabel Santos, Jaciara Santos, Mônica Bichara, Joana D´Arck, Carmela Talento e Ana Maria Vieira, todas ativas na profissão. Na segunda parte do livro, Jaciara Santos revela suas experiências na editoria de Segurança, o chamado jornalismo policial, com um viés humanizado. O debate “As comadres estão chegando – presença das mulheres no jornalismo baiano” acontece na Flica, que este ano tem como tema “Poéticas Afroindígenas no Bicentenário da Independência do Brasil na Bahia”, de 26 a 29 de outubro, no Espaço Geração Flica.

 

“Tais comadres simbolizam a irrupção das mulheres nas redações do jornalismo baiano. E revelam a instituição do comadrio entre elas, tão forte, capaz de me dar um susto, aqui no sentido de estupefação diante de tanta solidariedade entre elas, tanta sororidade, carinho, amizade a atravessar décadas”, confessa Emiliano.

 

E complementa: “Descobri mulheres fortes, talentos pouco valorizados. Vi de perto o quanto podem as mulheres no exercício da reportagem. Como são capazes de dividir-se entre os cuidados de suas crias e as tarefas da profissão. Vi como é difícil ser mulher, mãe e profissional de jornalismo. E como elas davam conta de tudo isso. Fosse o caso, chegavam à redação com o bebê num carrinho, e cumpriam as pautas. Afrontaram o machismo sem fazer alarde”. O machismo, observa o escritor, “se não acabou, porque é resistente, sofreu um grande abalo”.

 

Novelas

Emiliano José classifica as protagonistas como coautoras do livro. A exemplo dos outros títulos da série #MemóriasJornalismoEmiliano (“Balança mas não cai”, “Os comunistas estão chegando” e “O violeiro e a filha D´oxum”), o das comadres foi um exercício conjunto, um mergulho nas lembranças de cada uma nas redações, pautas, coberturas e amizades, família, comadrio. Imortal da Academia de Letras da Bahia, o escritor deu asas à imaginação ao transformar as memórias em verdadeiras novelas, emocionantes relatos de uma época do jornalismo, grande parte em plena Ditadura Militar.

 

Na Nota do Autor, é a vez de Emiliano relembrar: “Isabel já estivera comigo quando de minha primeira candidatura a deputado estadual pelo PMDB, em 1982, jornalista já. Mônica, tão tímida, encontrei no Jornal da Bahia, como Jaciara, também retraída. Estas, as comadres-raiz. As três, desenvolvendo-se na juventude numa mesma região, periferia de Salvador, ali entre a Fazenda Grande, São Caetano, Capelinha sem terem se encontrado. O jornalismo permitirá o encontro. A elas, junta-se Joana D’Arck, também militante do comadrio. E ainda Carmela Talento, com quem trabalhei em duas ocasiões, e Ana Vieira, cujo início como repórter acompanhei, quando chefe de reportagem”.

 

O prefácio do ebook é do também jornalista e escritor Elieser Cesar, que de certa forma inspirou Emiliano ao escrever, em 2019, a crônica “As comadres”, sobre a amizade do “quadrilátero comadrístico”, referindo-se às colegas Isabel, Mônica, Jaciara e Joana. “Ai de quem mexer com uma delas! Coitado de quem bulir com uma só das quatro comadres do jornalismo baiano. Mexeu com uma, buliu com todas”, avisa ele, observando que a elas juntaram-se, no livro, Carmela e Ana Maria, abraçadas pelo comadrio.

 

Segurança

A segunda parte do livro é uma realização pessoal de Emiliano, que sentia falta de uma abordagem sobre o chamado jornalismo policial, considerado o “primo pobre” das editorias. A rica e premiada experiência de Jaciara Santos, ao lado do editor Erival Guimarães, na editoria de Segurança do jornal Correio da Bahia, cumpriu esse papel. O tratamento humanizado da notícia era o diferencial. Contentar-se com o boletim oficial das autoridades policiais, nem pensar. Pré-julgamento, também não.

 

A arte da capa do ebook, retratando as comadres em início de carreira, é do designer e publicitário Miguel Cotrim. A foto recente, das seis protagonistas juntas na portaria da Tribuna da Bahia, um dos jornais por onde praticamente todas passaram, é do repórter fotográfico Antonio Queirós, praticamente um compadre do grupo. A edição gráfica do ebook é de Gabriel Galo. Marca dos volumes da série de memórias, todos os comentários feitos pelos leitores na página do Facebook foram transcritos, a exemplo da publicação no blog parceiro, o Pilha Pura de Joaninha.

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