Campanha em prol das Comunidades Tradicionais é lançada na 44ª Marcha da Consciência Negra

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A caminhada do 20 de Novembro, em prol do dia que é celebrado a consciência negra, lança a campanha “Unidos pela Ancestralidade em Defesa da Casa Comum”. A mobilização visa sensibilizar a sociedade para a importância das Comunidades e Povos Tradicionais (CPTs) no processo de preservação do meio ambiente. O ato ocorreu durante a 44ª Marcha da Consciência Negra que teve concentração na praça do Campo Grande 

 

A data do lançamento da campanha foi escolhida por marcar a luta por garantia de direitos da população negra. O objetivo da campanha é consolidar a consciência de que o modo ancestral de lidar com a natureza usado pelas CPTs, como quilombolas (afrodescendentes), ribeirinhos(as), marisqueiras(os), pescadores, fundo e fecho de pasto, indígenas, geraizeiros(as) favorece o enfrentamento às mudanças climáticas e ao aquecimento global. 

 

Por isso, é fundamental mantê-los nas suas terras, conservando seus modos de vida e a luta pela defesa dos seus territórios. A ação integra o projeto “Programa Global das Comunidades da Nossa América Latina no Brasil”, executado pela Cáritas Brasileira – Regional Nordeste 3.  

 

“Estes povos e comunidades reconhecem, preservam e cuidam da natureza, mantendo esta relação ‘natureza-ser humano’ de forma coletiva e harmônica, considerando e respeitando os limites e ciclos naturais, ao mesmo tempo em que produzem seu alimento, sustentam sua forma de viver e protegem a natureza”, completa o engenheiro agrônomo Márcio Lima, coordenador do programa. 

 

A ação traz como mote a ligação, na ancestralidade, que toda a população brasileira possui com estes povos e comunidades. Busca resgatar em cada pessoa o elo que a liga às CPTs utilizando o termo “Casa Comum”, evidenciado por entidades religiosas e a Igreja Católica, para representar a principal razão com que se deve resgatar este elo, no conceito de que todos e todas pertencem a um mesmo espaço, que merece ser preservado e cuidado por cada ser vivo que o integra.

 

Na caminhada em Salvador, será possível identificar a ação por meio de placas, pirulitos, adesivos e tatuagens removíveis alusivas à campanha durante o trajeto, e contendo dados com denúncias sobre as ameaças e violações que estes povos e comunidades vêm sofrendo, visto que seus territórios são considerados centrais para o ciclo de exploração e acumulação do capitalismo em função das suas grandes riquezas (minerais, hídricas, territoriais e da biodiversidade). 

 

Segundo o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, apenas 12,6% dos quilombolas residem em território reconhecido no país. A falta da regularização fundiária é um dos fatores que contribui para o surgimento de conflitos e casos de violência, que incluem ameaças. Quando se compara os anos de 2011 a 2015 e de 2016 a 2021, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), houve um aumento de 46% nos conflitos por terra no Brasil. 

 

SERVIÇO 

O que? Lançamento da Campanha “A ancestralidade nos une em defesa da Casa Comum”

Quando? 20 de novembro – segunda-feira

Aonde? 44ª Marcha da Consciência Negra – Campo Grande 

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