No colo de Lula, uma bomba que atende pelo nome de Rui Costa

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Dos casarões históricos do Pelourinho aos bares do Rio Vermelho, da Colina Sagrada do Bonfim ao Alto do Gantois, o baiano mais desinformado já ouvira falar que havia algo de podre na compra sem licitação em 2020 pelo governo do Estado de 300 respiradores que custaram 48 milhões de reais.

A suspeita chegou à CPI da Covid em forma de requerimento para que fosse investigada. Mas à CPI, controlada pela oposição, só interessava o que pudesse desgastar o governo Bolsonaro, que se associara ao vírus. Os respiradores jamais foram entregues, nem o dinheiro devolvido.

À época, um observador da política baiana valeu-se de versos do poeta Gregório de Matos para criticar o que se comentava baixinho em Salvador: “A Bahia se escreve com dois efes: um de furtar, outro de foder”. Como castigo, Gregório foi deportado para Angola. Voltou para morrer no Recife.

A compra dos respiradores a uma empresa com apenas dois funcionários foi autorizada por Rui Costa (PT), então governador da Bahia, agora ministro da Casa Civil de Lula. A dona da empresa disse que o negócio foi intermediado por dois amigos de Costa e de Aline Peixoto, a primeira-dama.

Cristiana Taddeo, a empresária, contou à Polícia Federal que pagou 11 milhões de reais em comissões aos intermediários. O ex-secretário da Casa Civil da Bahia, Bruno Dauster, confirmou que a palavra final foi dada por Costa. Aline, hoje, é conselheira do Tribunal de Contas da Bahia.

A investigação do caso pela Polícia Federal está na sua fase final. Costa nega que seja culpado por qualquer coisa, embora não tenha como negar que seu governo pagou caro pelo que nunca recebeu. A Lula, restam dois caminhos: demitir Costa ou esperar a sempre demorada decisão da Justiça.

Esperar significa manter uma bomba no colo. Assim, morreu em 30 de abril de 1981 o sargento do Exército Guilherme do Rosário Ele e um capitão portavam bombas para jogar em meio a 20 mil pessoas que assistiam a um show de música no Riocentro. Uma delas explodiu no colo do sargento.

O Atentado do Riocentro foi o último pretenso grande ato de terrorismo dos militares inconformados com o fim da ditadura de 64. O governo de Lula ainda está muito distante do fim. Não tem por que enfraquecê-lo desde já. O país só teria a perder com isso. Ouviu, Lula? Falo com você.

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