Ex-chefe da Polícia de GO vê seita em escola de filhos de Olavo

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O ex-delegado-geral da Polícia Civil de Goiás Alexandre Lourenço detalhou como funciona o que um grupo de mulheres chama de “a seita” do filho de Olavo de Carvalho Tales de Carvalho, tema de uma série de reportagens que a coluna publica desde quinta-feira (26/6). Atualmente advogado criminalista com atuação em investigação defensiva, Lourenço foi o responsável por localizar uma das mulheres que, após deixar para trás a família para casar-se com Tales de Carvalho, afirma ter sido vítima de uma lavagem cerebral e o acusa de uma série de abusos psicológicos e sexuais.

Tales de Carvalho lidera com seu irmão, Luiz Gonzaga de Carvalho, o Instituto Cultural Lux et Sapientia (ICLS), escola de cursos fundada por Tales há dez anos e tida como a espinha dorsal da seita. A entidade foi apontada nos relatos revelados pela coluna como canal para angariar dinheiro de alunos e “benfeitores” e, no caso de Tales, aliciar jovens com o objetivo de conseguir casamentos.

Lourenço aponta que o comportamento da jovem, de 19 anos, indica o “processo de alienação” dela pela seita do filho de Olavo de Carvalho.

“Ela dizia sempre para a família que estava com o marido dela, que estava com ele de livre e espontânea vontade, que tinha se convertido à religião dele e que agora teria que se comportar daquela forma e que precisava estar com o marido dela”, disse Lourenço sobre o momento em que a moça foi resgatada pela Polícia Federal.

Para o advogado, o ICLS é o ponto crucial da seita, que usa uma mistura de catolicismo com islamismo como pano de fundo. Lourenço explica que Tales e Luiz Gonzaga de Carvalho, o Gugu, que atua como uma espécie de “guru” do instituto, não dão um direcionamento final nos cursos, o que deixa as pessoas sempre atreladas a eles.

“A pessoa vai estudando dentro do instituto, desenvolvendo-se nos estudos. Num dado momento, ela passa a tratar diretamente com o Thales ou com o Luiz Gonzaga a respeito daquele tema. E é nesse momento que o processo de alienação vai acontecendo. A pessoa vai se perdendo e se desvinculando da racionalidade”, explicou Lourenço.

Assim como a ex-mulher de Tales Calinka de Moura relatou à coluna, Lourenço ressalta que o ICLS capta homens para serem os benfeitores financeiros do instituto, e Tales alicia mulheres para casamentos.

Lourenço criticou o fato de a Polícia Civil do Goiás e do Paraná não instaurar investigações sobre o caso. O advogado disse à coluna que uma das principais dificuldades no resgate da moça foi a relutância das corporações em cooperarem com o caso. O principal argumento usado foi que a ex-mulher de Tales é maior de idade, então não teria havido crime de aliciamento de menor. Entretanto, a moça começou a ter uma relação com ele aos 17 e, apenas aos 19, largou a família e os estudos, às escondidas, para casar com ele.

Na entrevista, o advogado ressaltou a importância da evolução da aplicação do direito penal para lidar com casos que envolvem não apenas violência física, mas também psicológica e econômica.

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