Não sei quais são os critérios, diz Natália Lage sobre pouco protagonismo em 36 anos de carreira

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ANA CORA LIMA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Natália Lage, 45, faz uma participação na série “O Jogo Que Mudou a História”, recém-lançado pela Globoplay. É uma sequência da atuação da policial Roberta Campello no submundo da corrupção visto em “A Divisão”, personagem que classifica como um dos mais instigantes de sua carreira de quase quatro décadas. “O vilão, o mau-caráter, o desviado… esses tendem a ser os melhores papéis de um ator”, diz.

Natália era criança quando estreou na TV. Tinha nove anos quando apareceu na série “Tarcísio e Glória” (1988), e desde então, não parou mais. Participou de mais de 20 produções na TV, entre novelas e seriados (“O Salvador da Pátria, “A Lua Me Disse”, “A Grande Família”, “Tapas e Beijos”, “Sob Pressão e “Um Lugar ao Sol”, entre outros). Curiosamente, só foi protagonista duas vezes: em “O Amor Está no Ar” (1997), e na série Hard, da Max, que teve uma temporada em 2020.

Por que isso acontece? Ela também se faz essa pergunta. “Essa profissão é um mistério para mim até hoje. Eu não sei quais são as lógicas, os critérios, as escolhas” diz. “Já foi uma questão, mas agora eu prefiro deixar as coisas fluírem. Graças a Deus, a gente vai meio sendo levado e, felizmente, não me falta trabalho”, afirma a atriz, que também artista plástica e escritora.

Discreta em sua vida pessoal, Natália conta que já quis ser mãe e congelou óvulos há alguns anos, mas está cada vez mais desencanada com a ideia de exercer a maternidade. “Olha, eu nunca me vi criando um filho sozinho. Fui casada duas vezes e não aconteceu de ter filhos. É um preconceito muito grande essa coisa de você não ser mãe, essa ideia de que uma das funções da mulher é reproduzir e se não consegue ‘ah tadinha…'”, reclama.

“Talvez daqui a três anos encontre alguém e fale: ‘vamos ter, vamos adotar ou não. Essa cobrança de ser mãe deixou de ser uma mala pesada nas minhas costas”, diz a atriz, que volta aos palcos neste mês de julho, com a peça “Ensaio para um Adeus Inesperado”, dirigida por Ana Beatriz Nogueira.

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