“Só mulher nua entra no Masp?” Como museu usa a arte para virar o jogo

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No ano de 2017, um cartaz doado ao renomado Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) provocou a reflexão dos visitantes. O questionamento “Só mulher nua entra no Masp? Apenas 6% dos artistas em exposição são mulheres, mas 60% dos nus são femininos” foi feito pelas artistas do Guerrilla Girls, um grupo ativista feminista que utiliza fatos, humor e imagens para expor preconceitos étnicos, de gênero e a corrupção na política, na arte, no cinema e na cultura pop.

Dessa forma, elas destacam um aspecto relevante: a valorização histórica nos acervos dos museus da representação dos corpos femininos nus em detrimento das produções artísticas das mulheres. Desde então, o cartaz das artistas continua em exibição no Masp, levantando questões que ultrapassam as fronteiras locais, tornando-se universais.


guerrilha girls masp

13 imagens

Masp visto da Avenida Paulista em 2016.

Acervo do Masp em Transformação
Frases expondo a luta das mulheres ao longo dos anos, seguidas de respostas masculinas. A falta de pontuação é proposital

No primeiro semestre de 2024, o MASP apresentou a exposição “Gran Fury Arte Não é o Bastante”, de um coletivo de artistas reconhecido por seu ativismo nas décadas de 1980 e 1990. A mostra trouxe obras que refletem a importância e a relevância do engajamento artístico em questões sociais e políticas.

Outra exposição marcante foi “Catherine Opie: O Gênero do Retrato”, que exibiu 66 fotografias realizadas pela artista entre 1987 e 2022. O subtítulo da exposição faz alusão aos diversos significados da palavra “gênero” em português, em contraposição ao inglês “gendergenre”.

Em uma doação das artistas do Guerrilla Girls, um cartaz de 2017 provocou questionamentos ao indagar: “As mulheres precisam estar nuas para entrar no Museu de Arte de São Paulo?” Essa ação demonstra a atuação do grupo em desafiar estereótipos de gênero e lutar por igualdade na arte.

Além disso, uma imagem icônica do MASP vista da Avenida Paulista em 2016 foi retratada, destacando a imponência do museu em meio à paisagem urbana. A arquitetura singular de Lina Bo Bardi se destaca nessa visão marcante da instituição.

Com o tema “Acervo do MASP em Transformação”, o museu busca renovar e atualizar sua coleção, refletindo os movimentos e mudanças da arte ao longo do tempo. Essa iniciativa reforça o compromisso da instituição em dialogar com novas linguagens e contextos artísticos.

Explorando a temática da luta das mulheres ao longo dos anos, uma exposição apresentou frases que expressam o engajamento feminino, seguidas de respostas masculinas. A falta de pontuação nesse contexto é proposital, ressaltando a força e a resistência das mulheres diante de desafios e adversidades.

O MASP se destaca não apenas como um espaço de contemplação artística, mas também como um local de debate e reflexão sobre questões sociais e culturais atuais. As exposições mencionadas evidenciam a diversidade de temas e abordagens presentes no cenário artístico contemporâneo, incentivando a reflexão e a troca de ideias entre os visitantes.No primeiro semestre de 2024, o Museu de Arte de São Paulo (MASP) apresentou a exposição “Gran Fury Arte Não é o Bastante”, trazendo à tona o trabalho de um coletivo de artistas marcantes no ativismo artístico das décadas de 1980 e 1990. A mostra foi um reflexo do compromisso do museu em promover diálogos e reflexões sobre temas relevantes por meio da arte.

Outra exposição de destaque foi “Catherine Opie: o gênero do retrato”, que reuniu 66 fotografias da renomada fotógrafa. O subtítulo da exposição faz uma referência interessante aos diferentes significados da palavra “gênero” em português e em inglês, gerando reflexões sobre as diversidades de interpretação desse termo.

A obra da artista Lia D Castro também ganhou espaço no MASP, com um enfoque intitulado “Em todo e nenhum lugar”. A presença de diferentes artistas e estilos reforça a missão do museu em oferecer uma programação diversificada e inclusiva, capaz de dialogar com diferentes públicos e promover reflexões sobre a arte e a sociedade.

Além das exposições contemporâneas, o MASP também preserva e exibe obras clássicas em seu acervo, como as pinturas de Modigliani. A diversidade de acervos e mostras reforça o papel do museu como um espaço de difusão cultural e encontro com a arte em suas mais diversas manifestações.

A programação anual do MASP tem sido marcada pela dedicação às “Histórias da diversidade LGBTQIA+”, buscando ampliar a representatividade e dar voz a diferentes expressões artísticas. Essa iniciativa reforça o compromisso do museu em ser um espaço plural e acolhedor para todos os públicos.

A exposição de Catherine Opie e demais mostras realizadas no MASP representam um convite à reflexão, ao debate e à apreciação da arte em suas mais diversas formas. O museu não apenas preserva o passado artístico, mas também abre portas para novas narrativas e expressões contemporâneas, enriquecendo o cenário cultural de São Paulo e do Brasil como um todo.Desde 2017, houve mudanças significativas em relação à presença feminina no Masp. Em busca de respostas, a equipe do Metrópoles procurou a atual administração do renomado museu. A resposta é positiva: sim! O número de artistas mulheres com obras em exposição aumentou de 6% para 23,3% desde 2017. Desde então, foram realizadas 24 exposições individuais de artistas mulheres, e 490 obras de artistas do sexo feminino foram doadas ao acervo do Masp entre 2014 e 2024.

Estudos apontam que a proporção ideal seria de 30%. A curadoria do Masp tem como ambição superar esse número. O objetivo é apresentar uma representação equitativa de artistas mulheres e homens. Além disso, o museu inclui em sua coleção trabalhos de várias mulheres trans. Em 2017, o primeiro trabalho de uma artista trans assumida entrou para a coleção do museu, destacou Amanda Carneiro, curadora do Masp, em entrevista ao Metrópoles.

No passado, presente e futuro do Masp, as mudanças se tornaram mais evidentes a partir de 2015, quando Adriano Pedrosa assumiu a direção artística. O museu passou a promover exposições que refletiam narrativas diversificadas de grupos marginalizados. Durante a gestão de Pedrosa, os trabalhos expostos tornaram-se mais diversos, inclusivos e plurais, conforme especialistas consultados.

O Masp se destaca por sua abertura à comunidade e sua abordagem sobre representatividade na arte. Segundo Amanda, o museu é um dos poucos no Brasil que coloca em destaque a diversidade e representatividade em sua coleção. Em 2018, uma bandeira questionando a presença de negros na arte foi exibida no museu, ressaltando o compromisso com a reflexão e a abordagem de questões importantes.

A evolução do Masp é evidente ao longo dos anos, refletindo seu compromisso com a diversidade e inclusão. A iniciativa de dar visibilidade a artistas mulheres e minorias é crucial para a renovação e relevância do museu na cena artística contemporânea. A busca por equidade e representatividade continua a ser um objetivo central na missão do Masp de promover a arte e a cultura de forma abrangente e significativa para todos os públicos.O papel das mulheres artistas na história da arte foi destacado pela curadora do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Segundo ela, a presença feminina nas exposições do museu tem sido essencial para preencher lacunas históricas e institucionais. Em 2019, um ano significativo para o Masp, houve uma exposição abrangente sobre a história das mulheres, reunindo quase 100 trabalhos de diferentes séculos. A mostra apresentou obras notáveis de artistas como Élisabeth Vigée Le Brun e exposições que exploravam temas feministas, estabelecendo um paralelo entre a produção contemporânea e histórica, destacando o trabalho de 30 artistas e coletivos do século 21.

A diversidade também se reflete na gestão do museu, onde duas mulheres e dois homens lideram as quatro diretorias. Mulheres desempenham papéis fundamentais na coordenação de equipes, ocupando posições-chave como curadoria, produção, comunicação e acervo. O Masp reconhece o desafio de promover a contratação de mulheres negras e trans, buscando se descolonizar internamente. Por meio de parcerias com organizações que apoiam pessoas trans, o museu tem integrado membros desses grupos em diversas áreas, como na curadoria e no atendimento ao público.

No presente, o Masp se destaca com sua exposição permanente “Acervo em transformação”, que é constantemente renovada com obras que entram e saem devido a empréstimos, aquisições e rotatividade. Uma das exposições atuais do museu traz à tona a ausência histórica de grupos minorizados em posições de poder, destacando a força de trabalho que sustenta a sociedade. A mostra “Lia D Castro: em todo e nenhum lugar” é a primeira exposição individual da artista em um museu, trazendo reflexões sobre as relações de poder e violência entre mulheres e homens de diferentes classes sociais.

Lia desafia a estratificação social e a maneira como a história da arte definiu quem representa e é representado, utilizando o afeto, o diálogo e a imaginação como ferramentas de transformação social em suas obras. Paralelamente, a renomada artista americana Catherine Opie apresenta sua primeira exposição individual no Brasil, explorando a comunidade queer, à qual pertence, por meio de suas fotografias em cores e preto e branco. Opie, atuante desde o final dos anos 1980, traz sua perspectiva única sobre a representatividade e identidade, desafiando os padrões sociais preestabelecidos.O Museu de Arte de São Paulo (MASP) apresenta exposições que exploram a diversidade e a pluralidade de artistas que transitam entre os gêneros, sem se prender a rótulos definidos. Em um ano dedicado às narrativas, personagens e temas LGBTQIA+, o MASP destaca a coleção de retratos dessa coletividade criada por Opie ao longo de décadas. A exposição estará em destaque até outubro de 2024.

O museu tem desenvolvido desde 2019 o projeto MASP Em Expansão, que consiste na construção de um novo edifício denominado Lina Bo Bardi. Esse prédio ampliará os espaços expositivos e de uso múltiplo do museu. A gestão considera essa iniciativa como o mais significativo feito na história do museu desde a sua mudança da Rua 7 de Abril, onde funcionava na sede dos Diários Associados, para a Avenida Paulista em 1968.

Alfredo Setubal, presidente do Conselho do MASP, comentou: “Acredito que essa expansão irá solidificar o museu e a própria Avenida Paulista como um polo cultural importante – talvez o mais relevante do Brasil, do qual o MASP, sem dúvidas, é um dos pilares fundamentais.”

A exposição Tarsila Popular, em 2019, com obras de Tarsila do Amaral, tornou-se a mais visitada da história do museu. Um total de 402.850 visitantes apreciaram as pinturas da artista modernista, ultrapassando o recorde da exposição Monet, que exibiu obras do impressionista francês em 1997, recebendo 401.201 espectadores.

Ao questionar a curadora sobre a possibilidade de que o recorde de Tarsila seja superado, ela respondeu de forma descontraída: “Não, isso é impossível na história do Brasil. Ela é nossa figura mais icônica, está em todos os livros didáticos. É algo positivo, quando mais artistas mulheres estiverem nos livros didáticos e ultrapassarem as fronteiras dos museus, mais pessoas conhecerão o trabalho dessas mulheres.”

Esses eventos e iniciativas do MASP refletem o compromisso do museu em promover a diversidade e abrir espaço para diferentes expressões artísticas e culturais. Através de exposições marcantes e projetos de expansão, o MASP se consolida como uma referência cultural na Avenida Paulista, contribuindo significativamente para o cenário artístico nacional e internacional.

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