Justiça condena TIM a indenizar ex-vendedor assediado com “radar gay”

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

São Paulo – A Justiça do Trabalho determinou que a TIM pague uma indenização de R$10 mil a um ex-funcionário por danos morais relacionados à homofobia. De acordo com a sentença, o ex-vendedor era alvo de assédio por parte de um colega de trabalho, devido à sua orientação sexual. O ambiente de trabalho era uma loja da operadora em um shopping de Santo André, no ABC Paulista. A empresa tem o direito de recorrer da decisão.

O documento da decisão, obtido pelo Metrópoles, inclui o depoimento de uma testemunha que também trabalhava no local. Segundo o relato, “um outro vendedor usava um ‘radar gay’ para insinuar que alguém era homossexual”.

A testemunha afirmou que na loja eram feitos comentários como se o vendedor que assediava seu colega tivesse a habilidade de identificar gays apenas olhando para eles.

O ex-funcionário, que decidiu buscar reparação na Justiça após ter sua reclamação à gerência ignorada, teve seu caso abafado, conforme consta no relatório.

A decisão inicial foi proferida pela 88ª Vara do Trabalho de São Paulo, que condenou a empresa a pagar R$ 20 mil de indenização.

No entanto, após recurso, a 17ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região reduziu o valor para R$ 10 mil, em 14 de junho deste ano. A relatora do caso, Debora Cristina Rios Fittipaldi Federighi, justificou a alteração afirmando: “Considero um pouco excessivo o valor arbitrado pela decisão inicial (R$ 20.000,00)”.

“Redefino para R$ 10.000,00, pois acredito que esse valor não é excessivo e está em conformidade com os princípios de razoabilidade e proporcionalidade, além de servir como uma punição pedagógica para a reclamada”, escreveu a relatora.

A equipe do Metrópoles procurou a defesa do ex-funcionário, representada pelo advogado Raphael Blaselbauer, que considerou a condenação “insuficiente, pouco coercitiva e verdadeiramente complacente com empresas que não respeitam políticas de diversidade de gênero, sexo ou orientação sexual”. A defesa expressou confiança em reverter a decisão do Tribunal em um próximo recurso, para obter uma compensação justa diante da gravidade da violência sofrida.

“A defesa acredita que, em um possível recurso, a decisão do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo será revertida, resultando em uma indenização justa e adequada à gravidade do ocorrido”, acrescentou o advogado.

A equipe de reportagem entrou em contato com a TIM, porém, até o momento da última atualização da matéria, não houve manifestação da empresa em relação ao caso. O espaço continua disponível para eventuais esclarecimentos.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Homem de 52 anos é preso suspeito de integrar quadrilha especializada em furtos em Camaçari

Na tarde desta sexta-feira (20), uma operação do 12º Batalhão da Polícia Militar (BPM) resultou na prisão de um homem de 52 anos, suspeito...

Idosa de 78 anos é resgatada em situação de abandono no Entorno do DF

Divulgação/PCGO Uma idosa de 78 anos foi resgatada pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) em uma casa de Valparaíso de Goiás, cidade do Entorno do...

Drogas são apreendidas após confronto no Beco da Rabada, na Federação, em Salvador

Na tarde da última sexta-feira (20), uma ação da 41ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) resultou na apreensão de drogas no Beco da...