Vence prazo para que o CNE apresente atas de votação na Venezuela

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

A eleição para escolher o novo presidente da Venezuela foi contestada, e agora o Conselho Nacional Eleitoral tem um prazo até segunda-feira (5) para fornecer as atas de votação ao Supremo Tribunal, conforme solicitado pelo presidente Nicolás Maduro. A oposição e parte da comunidade internacional exigem essas informações desde que Maduro foi proclamado vencedor das eleições em 28 de julho. O CNE confirmou a reeleição de Maduro com 52% dos votos, enquanto o candidato opositor Edmundo González Urrutia, representante de Maria Corina Machado, foi desqualificado.

A oposição alega fraude e afirma ter evidências que mostram que González foi o verdadeiro vencedor. No entanto, o CNE não divulgou detalhes do resultado das eleições de 28 de julho, uma vez que seu site está inacessível desde então, devido a um suposto “ataque em massa” ao sistema, conforme alegado, uma justificativa questionada por especialistas.

A Sala Eleitoral do Tribunal Supremo de Justiça solicitou na última sexta-feira ao CNE as “atas de apuração das mesas eleitorais em nível nacional” e a “ata de totalização definitiva”, que inclui a atribuição da vitória a Maduro e sua proclamação. Um prazo de três dias foi estabelecido, abrangendo o final de semana e encerrando nesta segunda-feira.

Maduro pediu ao tribunal máximo do país para “certificar” a eleição, alegando uma tentativa de golpe de Estado diante da pressão interna e externa por uma apuração transparente. O CNE não confirmou qualquer movimento para entregar os documentos quando questionado pela AFP.

Embora haja poucas expectativas em relação ao processo, visto que tanto o CNE quanto o TSJ são acusados pela oposição de favorecer o governo chavista, a situação coloca Maduro em uma posição delicada, evidenciando a descrença em sua proclamação e levando-o a pedir a intervenção de outro poder, como um registro ou notário.

Após uma semana da eleição, a situação em Caracas começa a retornar à normalidade, com estabelecimentos abertos, embora o trânsito ainda esteja limitado, e as eleições continuam sendo o principal assunto de discussão. Manifestações contra a proclamação de Maduro na última segunda-feira resultaram na morte de pelo menos 11 civis, de acordo com organizações de direitos humanos, além de mais de 2.000 detenções. Maduro relatou duas mortes de militares durante os protestos.O presidente da Venezuela declarou no domingo, durante um evento com a Guarda Nacional, que estão enfrentando nas ruas do país um golpe de Estado ciberfascista e criminoso. Ele afirmou que o fascismo não assumirá o poder na Venezuela e está disposto a fazer o que for necessário para manter a ordem.

Nesta segunda-feira, está planejada uma manifestação do chavismo em Caracas. Enquanto isso, a oposição ainda não revelou seus próximos passos, depois de se reunir no sábado com Machado, que saiu da clandestinidade para participar do evento e retornou ao se esconder por medo pela própria vida. González Urrutia também não foi visto em público desde a última terça-feira, e Maduro pediu pela prisão de ambos.

O presidente francês, Emmanuel Macron, se posicionou nesta segunda-feira ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apoiando a aspiração do povo venezuelano por uma eleição transparente. Macron ressaltou que essa demanda está no cerne de qualquer democracia.

Lula, buscando promover um acordo político junto com México e Colômbia, tem uma reunião marcada nesta segunda-feira com o presidente chileno, Gabriel Boric, em Santiago, com a Venezuela na pauta. Em outro momento, o Papa Francisco, em um discurso no Vaticano no domingo, pediu que se busque a verdade na Venezuela.

No âmbito internacional, a União Europeia aumentou a pressão sobre Maduro ao se unir aos Estados Unidos e outros países latino-americanos que não reconhecem os resultados das eleições de 28 de julho. O Conselho da União Europeia afirmou que os boletins da autoridade eleitoral não podem ser aceitos devido à falta de provas e solicitou uma verificação independente.

Diferentemente dos EUA e de outros países da América Latina, a UE se absteve de reconhecer a vitória de González Urrutia, apesar de destacar que as cópias das atas eleitorais divulgadas pela oposição e revisadas por diversas organizações independentes indicam que o opositor aparentemente venceu as eleições presidenciais com uma grande maioria.

Enquanto o chavismo não reconhece a validade dessas atas e alega ter 100% das cédulas para apresentar ao TSJ. Esses desdobramentos refletem uma situação política complexa e tensa na Venezuela.

Comentários do Facebook

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Quem era Ali Larijani, homem de confiança de Khamenei morto nesta terça

Ali Larijani, 68 anos, tornou-se uma das figuras centrais do Irã após ataques que, no início da guerra no Oriente Médio, teriam deixado...

Trump afirma que os EUA ‘não precisam’ da OTAN para reabrir o Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 17 de março de 2026, que os EUA não precisam da ajuda da...

Diretor de Contraterrorismo dos EUA renuncia: ‘Não posso apoiar a guerra no Irã’

O ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, renunciou nesta terça-feira, 17 de março, em protesto à ofensiva militar...