Bolsonaro já não é mais aquele. O que se deve fazer com ele?

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Nem mandar no seu cercadinho Bolsonaro manda mais. Ele convidou Pablo Marçal, candidato a prefeito de São Paulo, para que fosse ao ato público na Avenida Paulista contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Ali também se cobraria ao Senado a aprovação de uma anistia para libertar os golpistas do 8 de janeiro que tentaram derrubar o governo Lula. Por tabela, a anistia beneficiará Bolsonaro, que até 2030 está impedido de concorrer a qualquer cargo público.

Marçal chegou ao ato público perto do seu final. Ao querer subir no carro de som onde Bolsonaro pontificava, foi barrado pelo pastor Silas Malafaia, um dos promotores do evento. Malafaia chamou Marçal de “otário” e disse que ele só queria “lacrar”.

Resultado: Maçal lacrou e lucrou com o que aconteceu. Acompanhado por uma equipe de filmagem, foi ao encontro da multidão que começou a gritar seu nome e lhe estendeu as mãos. Marçal vive de recortes de cenas que posta em suas redes sociais.

Ricardo Nunes, o prefeito da cidade e candidato à reeleição, não foi aplaudido nem vaiado como ele tanto temia. Supostamente apoiado por Bolsonaro, posou ao lado dele para fotos, mas não discursou. Fez questão de passar despercebido.

Bolsonaro já não é mais aquele. A manifestação foi quatro vezes menor que a de 25 de fevereiro último no mesmo lugar. A anterior atraiu 185 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político no Meio Digital da Universidade de São Paulo. A de ontem, 45,4 mil.

Ironicamente, em uma manifestação a favor da liberdade de expressão e contra o autoritarismo, Bolsonaro pediu à Polícia Militar que arrancasse o cabo da bateria de outro carro de som que atrapalhava o seu. Não se sabe se foi atendido.

O único governador que compareceu ao ato foi o de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que deve o emprego a Bolsonaro. Os governadores de Santa Catarina, Goiás e Minas Gerais, vistos no ato de fevereiro, tinham mais o que fazer.

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