‘A bioética antecipa discussões que muitas vezes não estão na legislação’, afirma professora de Direito Médico

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O Direito Médico tem se destacado no Brasil, sobretudo após a pandemia de Covid-19, abordando questões como recusa terapêutica, avanços da inteligência artificial e judicialização da saúde. A professora Ana Thereza, coordenadora da Pós-graduação em Direito Médico, Saúde e Bioética da Baiana de Direito, destaca a importância da bioética nestas discussões.

Segundo a professora, a bioética desempenha um papel crucial no Direito Médico ao antecipar discussões não contempladas na legislação, promovendo reflexões filosóficas, morais e éticas essenciais para compreender os dilemas enfrentados na área da saúde. Esta abordagem vem sendo cada vez mais incorporada no ensino jurídico, preparando profissionais para os desafios da área da saúde.

A área do Direito Médico se mostra promissora, demandando especialização em diversos ramos do Direito, como Civil, Constitucional e Penal. Com o aumento da procura por advogados especializados em saúde, surgem oportunidades tanto na defesa de pacientes quanto na assessoria jurídica a instituições de saúde. Além disso, cargos de gestão na área da saúde e participação em comitês de ética são opções em ascensão.

Um dos aspectos destacados na entrevista foi a recusa terapêutica por parte do paciente. A professora ressalta que o direito do paciente em negar tratamentos já é reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal, desde que seja uma decisão consciente e informada, respeitando a capacidade de autonomia decisória. No entanto, para menores e pessoas incapazes, a legislação prevê proteção, garantindo o acesso a tratamentos essenciais para a saúde, mesmo em casos de recusa dos responsáveis legais.

A judicialização da saúde, um fenômeno crescente no Brasil, é outro ponto abordado. Pacientes buscam na Justiça acesso a tratamentos negados, devido à defasagem entre os avanços médicos e a legislação. O desafio está em equilibrar o direito do paciente com as limitações financeiras dos planos de saúde, buscando maior agilidade na incorporação de novos tratamentos pelo SUS, evitando litígios judiciais para garantir o acesso à saúde.

O Direito Médico, portanto, é uma área complexa e em constante evolução, exigindo dos profissionais dedicação, atualização e sensibilidade para lidar com as nuances éticas e legais que permeiam as relações médico-paciente.

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