JusPod: Chefe da Deam explica mudanças na investigação de crimes sexuais no Carnaval após casos de estupro em 2024

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

No Carnaval de Salvador em 2024, houve 9 registros de importunação sexual e três casos de estupro nos circuitos oficiais, gerando comoção nacional e impulsionando alterações significativas na abordagem às vítimas e no processo investigativo. Essas mudanças visam agilizar a obtenção de informações essenciais para a identificação dos responsáveis. Durante sua participação no JusPod, podcast jurídico do Bahia Notícias nessa quinta-feira (20), a delegada titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), Bianca Andrade, detalhou as mudanças implementadas para este ano de festa.

“Devido aos três casos de estupro, neste ano teremos o Silc [Serviço de Investigação de Local de Crime], tradicionalmente utilizado em homicídios e, agora, disponível para crimes sexuais. Em caso de ocorrência, uma equipe estará disponível 24 horas para atendimento imediato: ouvir a vítima, investigar o local, procurar por testemunhas e câmeras de segurança… pois a velocidade é crucial, considerando que as gravações muitas vezes só ficam disponíveis por 24 horas”, destacou, ressaltando a importância da rapidez nas investigações.

Além disso, a Polícia Civil terá a Operação Quitérias nas ruas, realizada pelo departamento de vulneráveis, com equipes identificáveis por camisas lilás, prontas para oferecer ajuda e orientação em casos de crimes sexuais ou contra menores de idade em todo o circuito de festas.

Outra novidade deste ano, compartilhada no episódio, é a parceria entre o Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero e em Defesa das Mulheres (Nevid), liderado pela promotora de Justiça Sara Gama, e alguns camarotes que disponibilizarão salas de acolhimento para vítimas de violência sexual. Esses espaços oferecerão formulários, suporte jurídico e psicossocial, além de contatos com as autoridades competentes. O governo também anunciou tendas denominadas “Oxe, me respeite” nos circuitos, que servirão como locais de acolhimento, assistência e encaminhamento para mulheres em situações de violência de gênero.

A promotora destacou ainda o conceito de importunação sexual, originado de uma lei de 2018, que se caracteriza, segundo Gama, por “atos voltados à satisfação de desejos sexuais, sem consentimento da outra parte”. Ela ressaltou a importância de compreender a linha tênue entre o crime e a paquera, sobretudo no contexto da campanha “Não é Não”.

O JusPod, conduzido pelos advogados Karina Calixto e Matheus Biset, é transmitido quinzenalmente às 19h das quintas-feiras no Youtube do Bahia Notícias.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Irã afirma ter atingido o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou, neste domingo, em comunicado à mídia local, ter atacado o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln no Golfo...

Polícia Militar recupera motocicleta com restrição de furto/roubo em Teixeira de Freitas

Teixeira de Freitas, BA — A Polícia Militar da Bahia, por meio da 87ª Companhia Independente de Polícia Militar (87ª CIPM), recuperou uma...

Papa Leão XIV se manifesta em apoio às vítimas das enchentes em MG

Chuvas na Zona da Mata MG deixam dezenas de mortos; Papa Leão XIV manifesta apoio às vítimas Palavras-chave: enchentes Minas Gerais, Juiz de Fora,...