Por que parei de comemorar aniversários no dia certo (e isso foi libertador)

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CRÔNICA

Leia a Crônica da Muito deste domingo, 29 de junho

Após cinqüenta anos, fiz uma descoberta inesperada: meu verdadeiro número de calçado era 42. Em uma pequena loja, a vendedora me convenceu a experimentar um par maior, e a sensação de conforto foi instantânea. Ao refletir, percebi que a mudança simples de número poderia ter poupado os meus tênis antigos da rápida degradação.

Recentemente, decidi também “mudar” meu aniversário. Não sou fã de grandes comemorações e, por isso, mantenho a data em segredo nas redes sociais. Para mim, um bom dia é aquele em que ocorre uma alegria, como o pagamento do mês ou uma conquista significativa. Agora, vejo que é possível celebrar meu natalício de modo leve e sem formalidades.

Nascido às 18h do dia 1º de julho, sempre achei que a verdadeira celebração se dá no dia 2, quando Salvador estremece com uma festa que homenageia a Independência da Bahia. Nesse dia, me junto a milhares de pessoas, artistas e amantes da cultura, renascendo no meio das cores e sons que ecoam nas ruas. Cada desfile é uma nova experiência, imerso na energia vibrante da multidão.

Para simplificar minha vida digital, decidi que olhar as redes sociais uma vez por semana seria suficiente. É como percorrer um supermercado buscando algo interessante em um mar de superficialidades. Um momento para dar as boas-vindas às mensagens, mas sem me prender ao ciclo vicioso de conteúdos que não acrescentam.

Hoje, observo as semanas passarem devagar, cada sexta-feira se tornando um desafio. Estou me distanciando de polêmicas fúteis e vivendo a intensidade dos momentos reais. Livrando-me das distrações criadas pela máquina, busco experiências autênticas que me reconectem com o mundo.

Iniciei uma fisioterapia mental e emotiva, buscando viver mais presencialmente. Assistir a uma missa antiga, ver um filme em um cinema, revisitar cidades esquecidas é revitalizante. Essa viagem de descobertas vale cada passo dado.

As cicatrizes deixadas pelo Tempo falam sobre a vida. Arrumei um creme prometedor, mas a rotina esquece seu uso, assim como tantas outras coisas na vida corrida. Mesmo assim, cada marca na pele é um testemunho silencioso de vivências que moldaram quem sou.

De forma leve e sincera, estou aprendendo a abraçar esses momentos, sem pressa. E quem sabe, um dia, lembre-se de cuidar da aparência, mas, acima de tudo, me permito a liberdade de viver. Como está a sua liberdade de celebrar a vida?

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