Por que o governo da França caiu e o que acontece agora

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Menos de 24 horas após apresentar sua nova equipe, o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, renunciou ao cargo, com a decisão aceita pelo presidente Emmanuel Macron. A composição do governo já havia sido alvo de críticas, incluindo de aliados.

Esse é o terceiro governo instaurado em um ano e, surpreendentemente, o mais breve. Com a coalizão governista em colapso logo nos primeiros dias, Lecornu decidiu se antecipar à iminente crise. “Não se pode ser primeiro-ministro sem condições de governar”, declarou.

Diante da situação, Macron pediu a Lecornu que realizasse negociações com líderes do parlamento e estabelecesse uma plataforma de estabilidade até quarta-feira. O primeiro-ministro se mostrou disposto a discutir como garantir essa estabilidade.

Por que o governo caiu?

A renúncia de Lecornu se deve ao descontentamento entre os aliados de governo. Ele havia anunciado um gabinete de continuidade, incluindo o retorno do ex-ministro das Finanças, Bruno Le Maire, para a Defesa. Essa escolha descontentou o partido Republicanos (LR), que se uniu a Macron em setembro de 2024.

O líder do LR, Bruno Retailleau, criticou a formação do novo governo, afirmando que não refletia a “ruptura prometida” e convocou uma reunião emergencial do partido. O retorno de Le Maire foi visto como alarmante, especialmente para os conservadores, que associam sua política orçamentária à alta dívida pública da França.

O LR reclamou também da grande quantidade de ministros provenientes do partido de Macron, em comparação aos poucos que ocupam cargos no governo. Além disso, pressionaram Lecornu para que o combate à imigração ilegal estivesse entre as prioridades do governo.

A oposição, liderada pelo Reunião Nacional (RN) e o bloco de esquerda, também criticou ferozmente o novo governo, que contém doze membros da equipe demitida em setembro. As críticas apontam que as mudanças foram mínimas e que importantes cargos quase não tiveram alteração.

E o que acontece agora?

Após aceitar a renúncia de Lecornu, Macron enfrenta três opções complicadas. Uma delas seria nomear um novo primeiro-ministro, mas isso é complicado, pois a Assembleia Nacional está dividida em três blocos sem maioria absoluta. A possibilidade de um novo nome de seu próprio partido parece remota após os contratempos anteriores.

Outra opção seria dissolver o parlamento e convocar novas eleições, o que Macron já rejeitou. Uma terceira alternativa, que vem sendo considerada por alguns, seria a renúncia do presidente, argumentando que ele é responsável pela instabilidade desde as eleições de 2024.

Atualmente, a situação política da França é tensa, com a dívida pública crescente e a pressão por cortes orçamentários. Desde 2022, após perder a maioria no parlamento, a instabilidade tem se aprofundado ainda mais. Diante disso, os partidos se posicionam para as próximas eleições presidenciais, dificultando acordos no legislativo.

O futuro do governo e as próximas ações de Macron estão incertos, mas as falas de Lecornu refletem uma necessidade urgente de cooperação: “É preciso sempre colocar o país à frente do partido”, enfatizou.

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