Secretário sobre combate a facções no DF: “Força entra em todo lugar”

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O Distrito Federal se destaca por ter um cenário controlado em relação às facções criminosas, sem áreas dominadas por essas organizações. O secretário da Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, afirma que “não existe um milímetro do Distrito Federal onde as forças do estado não possam entrar”.

Em entrevista ao Metrópoles, Avelar destacou a integração entre as polícias Civil, Militar e Penal do DF como um fator fundamental para esse controle. No entanto, a presença de facções não pode ser ignorada. Desde 2019, líderes criminosos de alta periculosidade, como o famoso Marcola do PCC, têm sido transferidos para a Penitenciária Federal de Brasília, levando membros das organizações a se deslocarem para a capital.

Células de inteligência

Uma das estratégias utilizadas para conter a expansão das facções é a “célula integrada de inteligência”, que permite a troca de informações entre as diferentes corporações de segurança. Este serviço foi utilizado pelo governador Ibaneis Rocha para ajudar em investigações no estado do Rio de Janeiro após uma megaoperação.

“Estamos acostumados a trabalhar em conjunto com outras forças, incluindo as federais e de outros estados”, destacou o secretário.

Avelar enfatiza que o trabalho de prevenção vai além de investigações, com o monitoramento constante dos criminosos dentro das prisões. Recentemente, a Secretaria de Administração Penitenciária do DF informou que cerca de 480 integrantes de facções, como PCC e Comando Vermelho, estão detidos entre mais de 15 mil prisioneiros na capital.

Esse controle dentro dos presídios visa impedir a troca de informações entre internos e seus comparsas do lado de fora, o que é essencial para evitar o avanço territorial das facções.

“O que nos diferencia é a capacidade de troca de informações, que tem gerado dados até mesmo de dentro das prisões”, explicou Avelar.

A Seape-DF reforçou que o trabalho conjunto com outras forças de segurança inclui o rastreamento de bilhetes e cartas que possam conter informações sobre organizações criminosas.

Integração Nacional

Recentes operações em outros estados mostraram a interconexão entre facções, com 62 mortos em uma megaoperação no Rio de Janeiro sendo oriundos de diversas localidades, incluindo o Distrito Federal. Avelar acredita que a cultura de integração do DF, se aplicada a outros estados, poderia ajudar a monitorar esses deslocamentos.

Um exemplo dessa integração é a colaboração entre o DF e Goiás, que facilita ações conjuntas no combate ao crime na região.

“Temos acordos que permitem atuação mútua para fortalecer a segurança”, disse Avelar.

O secretário manifestou a intenção de expandir essas parcerias a outros estados através do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (CONSESP), buscando uma atuação conjunta e eficaz.

Além disso, Avelar sugere a criação de um ministério de Segurança Pública específico, separado do Ministério da Justiça. Essa mudança permitiria que políticas fossem coordenadas por profissionais especializados.

“É essencial que cada área seja tratada por especialistas para que possamos avançar nesse trabalho de coordenação”, afirmou.

Ele também ressaltou a necessidade de destinar recursos para a segurança pública, assim como investimentos em áreas como educação e infraestrutura, que podem ajudar a combater a criminalidade a longo prazo. Um estudo indicou que a exclusão urbana das classes mais pobres é um dos fatores que favorecem a chegada das facções ao DF.

“A segurança pública é a base de tudo e deve ser aprimorada com investimentos que tragam resultados concretos”, finalizou o secretário.

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