Nº 2 do INSS promove dirigente que fez acordos em massa sob suspeita

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Weslley Aragão Martins, recém-promovido pela presidente substituta do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Lea Bressy, é o coordenador de Gestão do Relacionamento com o Cidadão do órgão. Em apenas um ano, ele assinou 53 Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com sindicatos e colônias de pescadores do Maranhão. Esses acordos são importantes para a concessão do seguro-defeso, o benefício pago a pescadores artesanais durante a proibição da pesca de determinadas espécies.

O aumento no número de concessões de seguro-defeso no Maranhão gerou preocupações na Controladoria-Geral da União (CGU). Entre 2023 e 2024, o estado registrou um crescimento de 130 mil beneficiários, enquanto outras regiões não tiveram crescimento significativo. Isso levantou suspeitas de fraudes na concessão do benefício.

Os acordos assinados por Martins estão ligados a entidades também investigadas pela Polícia Federal na chamada Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos sobre aposentadorias. Entre os envolvidos, há políticos regionais que participaram das eleições municipais de 2024.

Weslley Martins, ex-gerente-executivo do INSS em São Luís, foi exonerado após a deflagração da operação, mas recebeu a nova nomeação durante as férias do presidente do INSS, Gilberto Waller. A decisão de Lea Bressy, que é diretora de TI do INSS, foi vista como uma fonte de tensão entre ela e Waller, especialmente com o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, que está fortalecendo a posição de Bressy dentro do órgão.

Vínculos suspeitos com entidades

Nos acordos com as colônias de pescadores, muitas delas estão associadas à Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) e à Federação das Colônias de Pescadores do Estado do Maranhão (Fecopema). Essas entidades estão sob investigação por suspeitas de envolvimento em fraudes e lavagem de dinheiro.

A Fecopema, presidida pelo deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA), também está insuscetível a escândalos. Recentemente, Araújo enviou mensagens ameaçadoras ao deputado federal Duarte Jr. (PSB), que investiga fraudes no sistema previdenciário.

O INSS não comentou o caso. Enquanto isso, o Ministério da Previdência informou que as nomeações seguem critérios técnicos e respeitam os trâmites legais. A pasta está focada em ressarcir milhões de aposentados que foram vítimas de descontos indevidos e acelerar a análise de requerimentos pendentes.

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