Justiça bloqueia quase R$ 2 milhões em veículos de empresário alvo da Operação Coffee Break

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A Operação Coffee Break, realizada nesta quarta-feira pela Polícia Federal, resultou no bloqueio de veículos do empresário André Mariano Gonçalves, totalizando quase R$ 2 milhões. Entre os bens apreendidos está um Porsche 911 Carrera S, avaliado em R$ 945 mil, registrado em nome do próprio empresário.

Mariano é dono da Life Tecnologia Educacional, que firmou contratos milionários com prefeituras do interior de São Paulo, muitos com recursos federais. A investigação busca apurar suspeitas de superfaturamento e a possível atuação de Mariano em um esquema de tráfico de influência envolvendo o Ministério da Educação (MEC) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Além do Porsche, foram bloqueados dois Hyundai HB20, uma BMW X4 xDrive 30i, avaliada em R$ 412 mil, e uma BMW X3 xDrive 30e, de R$ 397 mil, todos registrados em nome da Life. Uma BMW 540i, também da empresa, teria sido “doada” a Kalil Bittar como recompensa por serviços de lobby em Brasília, segundo a PF.

A investigação aponta que Mariano e Kalil mantiveram posse e uso do veículo ao longo de 2023 e tentaram transferi-lo para a Harmony BR Desenvolvimento de Sistemas, ligada a Kalil. No momento, o carro está registrado em nome de uma empresa da Bahia, cujo nome não foi revelado.

A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências de Carla Ariane Trindade e Kalil Bittar. Carla é ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Kalil foi sócio de Luís Cláudio, conhecido como Lulinha.

A juíza Raquel Coelho Dal Rio Silveira, da 1ª Vara Federal de Campinas, descreve ambos como pessoas com alegada influência no governo federal, reforçando a linha de investigação sobre as relações políticas em jogo.

A Life Tecnologia Educacional registrou um crescimento anômalo de capital social, aumentando mais de 113 vezes entre maio de 2022 e meados de 2024. Nesse período, a empresa firmou contratos que somam R$ 111 milhões com prefeituras como Sumaré, Hortolândia, Morungaba e Limeira, apesar de, segundo a PF, não ter a estrutura técnica ou o número de funcionários adequados para a prestação dos serviços.

Os contratos investigados envolvem aquisições de materiais escolares e livros didáticos, com recursos federais. Há suspeitas de que parte desses contratos tenha sido inflacionada para viabilizar o pagamento de propinas.

A Operação Coffee Break cumpriu 50 mandados de busca e apreensão e resultou na prisão de cinco pessoas, incluindo Cafu Césa (PSB), vice-prefeito de Hortolândia. As detenções estão ligadas a um suposto esquema de favorecimento em contratos e desvio de recursos destinados à educação.

A investigação prossegue, com a análise de documentos e rastreamento de fluxos financeiros. A Polícia Federal busca entender a participação de agentes públicos, empresários e intermediários que puderam se beneficiar do esquema.

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