Grupo de Magro pagou R$ 65 milhões por imóvel de R$ 684 mil, diz MPSP

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O Grupo Refit, liderado pelo empresário Ricardo Magro, é o foco de uma megaoperação contra fraudes fiscais. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) alega que o grupo é responsável por sonegar mais de R$ 26 bilhões em impostos através de um esquema complexo que abrange refinarias, distribuidoras, postos de combustíveis e empresas offshore.

Uma das transações suspeitas é a compra de um imóvel supervalorizado em 9.500%. Avaliado em R$ 684 mil, o imóvel foi adquirido por R$ 65,5 milhões pela empresa Athena Real Estate, do grupo Refit. Este negócio foi intermediado pelo fundo Euv Gladiator Fip. A localização do imóvel não foi informada.

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A Athena Real Estate é gerida por António Santos Oliveira, considerado pela MPSP essencial na execução do que foi descrito como “reinserção de capital ilícito”. Oliveira também administra a TIF Terminal Intermodal Futuro LTDA, ligada ao Grupo Refit, e tem conexões com Jorge Berdasco Martinez, sócio do escritório de advocacia de Magro. Martinez afirmou não ter conhecimento sobre a transação do imóvel e que Oliveira é seu contador.

Até o momento, não foi possível localizar Oliveira para comentar e Ricardo Magro não se manifestou. O espaço está aberto para esclarecimentos.

Mais de R$ 1 bilhão no exterior

O MPSP destacou que um fundo de investimento encaminhou US$ 200 milhões a uma offshore em Delaware, reconhecida como paraíso fiscal. A empresa foi criada apenas sete dias antes do envio. Segundo os investigadores, o objetivo era retirar os lucros decorrentes da sonegação do Brasil.

O fundo Euv Zeus é considerado o principal veículo para a remessa de recursos ao exterior e para lavagem internacional de dinheiro.

Operação contra “devedor contumaz”

O Grupo Refit foi alvo da Operação Poço de Lobato, realizada pelo MPSP, Receita Federal e as polícias Civil e Militar. No total, 190 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. O grupo é o maior devedor contumaz do Brasil, com dívidas que ultrapassam R$ 26 bilhões, segundo a Receita Federal.

Em São Paulo, o grupo deve cerca de R$ 9,6 bilhões em tributos, sendo o maior devedor de ICMS do estado. O governador Tarcísio de Freitas classificou a operação como “histórica” e um avanço contra aqueles que não seguem as regras fiscais. Ele destacou que a sonegação equivaleria a recursos suficientes para construir um hospital de médio porte ou vinte escolas por mês.

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