Saiba em que ponto estão as negociações de paz entre Putin e Zelensky

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As negociações por um plano de paz na Ucrânia continuam em um estado incerto. Enquanto Vladimir Putin exige a retirada das tropas ucranianas das regiões que reivindica, Volodymyr Zelensky está buscando apoio da Europa e dos Estados Unidos para mudar uma estratégia que, segundo a Ucrânia, favorece os interesses russos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, adiou o prazo que havia estabelecido para um acordo, inicialmente previsto para o Dia de Ação de Graças. Esse adiamento gera menos expectativa de um desfecho rápido e indica que a reunião entre seu enviado Steve Witkoff e representantes do Kremlin pode não trazer resultados imediatos.

Após meses de pressão, a diferença entre Moscou e Kiev permanece ampla. Putin se recusa a aceitar qualquer proposta que não lhe assegure controle total sobre Donetsk. Além disso, a mais recente versão do plano apresentado pelos EUA ao Kremlin retirou a concessão territorial, levantando dúvidas sobre o comprometimento russo.

Planos divergentes

Recentemente, as negociações de paz entraram em uma nova fase, com a apresentação de duas propostas distintas: um plano de 28 pontos dos Estados Unidos e uma contraproposta elaborada pela Europa.

A proposta dos EUA prevê o reconhecimento do controle russo sobre a Crimeia, Donetsk e Luhansk, além de congelar as posições em Kherson e Zaporíjia. Ela também estabelece uma proibição constitucional de entrada da Ucrânia na Otan, e um prazo de 100 dias para a realização de eleições após a assinatura do acordo.

Por outro lado, a proposta europeia não reconhece esses territórios como russos, sugere futuras negociações sobre fronteiras e não impõe uma proibição formal de adesão à Otan. Além disso, não há prazos fixos para as eleições e a proposta oferece garantias multilaterais com critérios menos rígidos.

Zelensky busca apoio europeu

Zelensky se mostra “otimista” em relação ao novo rascunho de acordo negociado em Genebra, destacando que é “mais viável”, embora ainda incompleto. Ele tem discutido questões delicadas com Trump e intensificado conversas com líderes europeus.

Além disso, o presidente ucraniano alertou sobre tentativas de interferência russa nas negociações por meio de desinformação e aumento de ataques. Recentemente, após Putin afirmar não ter recebido um rascunho de acordo, o porta-voz do Kremlin anunciou a chegada de um “plano inicial”.


Crise interna em Kiev e avanço russo no front

  • A equipe de investigação anticorrupção realizou buscas na casa de Andriy Yermak, chefe de gabinete e principal negociador, exacerbando a pressão interna.
  • As forças armadas enfrentam uma escassez de soldados devido ao avanço russo em Zaporíjia, Pokrovsk e Kupiansk.
  • Kramatorsk, que ainda está sob controle ucraniano, sofre ataques constantes de drones, tornando improvável a recuperação de território pela Ucrânia nos próximos meses.
  • Do ponto de vista militar, a questão não é se Kiev conseguirá reverter a guerra, mas sim se conseguirá forçar Moscou a ceder primeiro.

Telefonema vazado

A divulgação de uma ligação entre Steve Witkoff e Yuri Ushakov, assessor de Putin, causou desconforto em Washington e na Ucrânia. Witkoff teria orientado Moscou sobre sua postura em relação a Trump, incluindo sugestões de elogios ao cessar-fogo em Gaza.

Essa chamada ocorreu antes de um telefonema entre Trump e Putin, que o Kremlin descreveu como “franco e produtivo”. Em contrapartida, a reunião entre Trump e Zelensky foi tensa, com o presidente dos EUA insistindo em concessões territoriais.

Republicanos criticaram Witkoff, alegando que ele estava “sob influência russa”, enquanto Trump minimizou a situação e confirmou que seu enviado viajará a Moscou em breve.


Temas sensíveis seguem sem respostas claras

  • A reintegração da Rússia ao G8 parece improvável devido à rejeição europeia.
  • O financiamento da reconstrução da Ucrânia permanece complexo e sem consenso.
  • O tamanho futuro das forças ucranianas é incerto, considerando que um exército de 600 mil homens não seria viável em tempos de paz.
  • A adesão à Otan ainda está em debate, com os EUA defendendo um veto definitivo e os europeus preferindo deixar a decisão em aberto.

Expectativas para os próximos capítulos

Na terça-feira, Rustem Umerov, secretário de segurança ucraniano, afirmou que as delegações dos EUA e da Ucrânia chegaram a um entendimento comum sobre os principais termos.

Os “detalhes finais” dependem de conversas diretas entre Zelensky e Trump, que podem ocorrer durante uma visita do presidente ucraniano aos EUA.

Enquanto isso, negociações paralelas entre Washington e Moscou em Abu Dhabi foram descritas como “produtivas”, mas ainda incluem temas sensíveis.

Recentemente, Zelensky afirmou que a Ucrânia está se preparando para uma nova rodada de negociações com a delegação dos EUA, com o objetivo de avançar na construção de uma paz “digna”.

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