Honduras: eleições são cruciais em país minado pelo crime organizado

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Neste domingo, os eleitores hondurenhos irão às urnas para escolher seus representantes nas eleições presidenciais, legislativas e municipais. Mais de seis milhões de moradores deste pequeno país da América Central, afetado pelo narcotráfico e pela corrupção, devem decidir pelo novo presidente, 128 deputados e cerca de 300 prefeitos.

A esquerda hondurenha, que chegou ao poder pela primeira vez há quatro anos com Xiomara Castro, busca um novo mandato com Rixi Moncada como candidata do partido Liberdade e Refundação (Libre). Diante dela, estão os dois grandes partidos conservadores que se alternam no controle do país há mais de um século: o Partido Liberal (PL) e o Partido Nacional (PN), representados por Salvador Nasralla e Nasry Asfura. Recentes pesquisas apontam um empate técnico entre os três candidatos.

Estado de Emergência

As eleições ocorrem em uma atmosfera tensa. Desde 2022, Honduras está sob estado de emergência, uma tentativa de conter a violência das gangues e o tráfico de drogas. Em muitas áreas, a atuação das gangues ainda é mais forte do que o do próprio Estado. O governo de Xiomara Castro prometeu mudar o panorama do que é chamado de “narco-Estado”, mas teve seu discurso enfraquecido em 2023 após a divulgação de um vídeo envolvendo Carlos Zelaya, irmão de um ex-presidente e figura influente no partido Libre.

No vídeo, Carlos é visto ao lado de narcotraficantes que ofereceram mais de meio milhão de dólares para financiar a campanha de 2013 de Xiomara. Daniel Vásquez, doutorando afiliado ao Centro de Estudos Mexicanos e Centro-americanos, destaca que o clã político Castro também se envolveu com o narcotráfico, minando a credibilidade que tentavam construir.

Fraude Eleitoral e Desconfiança

A desconfiança em relação ao processo eleitoral é ampliada pela fragilidade das instituições hondurenhas. As primárias realizadas em março deixaram um sentimento amargo, com atrasos na entrega das urnas e denúncias de fraude. Esses eventos alimentam a incerteza sobre a habilidade do país em promover uma eleição democrática. Segundo Vásquez, o Conselho Nacional Eleitoral está sob o controle dos principais partidos, tornando-se um campo de disputa em vez de um responsável pelo pleito.

Em um comunicado, a divisão Américas da Human Rights Watch expressou preocupações sobre as tensões dentro da instituição eleitoral e as práticas agressivas do Ministério Público, colocando em risco o direito dos hondurenhos a eleições justas.

Esse clima de receio está inserido na história política recente de Honduras, marcada por um golpe de Estado em 2009 que ainda ressoa na atualidade e causa uma sensação de cansaço democrático. Gaspard Estrada, diretor do Observatório Político da América Latina e do Caribe, menciona que as elites políticas são vistas com desconfiança e que o país vive uma crise política permanente há décadas.

Os hondurenhos irão votar em um ambiente sob estado de emergência, levantando questionamentos sobre a validade do processo democrático. Será que o governo poderá manipular os resultados sob o pretexto da emergência?

Problemas Econômicos Persistentes

Além das instituições fragilizadas, o país enfrenta uma crise econômica severa. Dois terços da população vive na pobreza, e muitas preocupações imediatas, como emprego e acesso a cuidados de saúde, se sobrepõem ao discurso eleitoral. Pesquisa do grupo ERIC-SJ revela que mais de um terço dos consultados considera que a prioridade do governo deve ser a criação de empregos.

Entretanto, esses temas têm dificuldade em emergir nas discussões dos candidatos, ofuscados por acusações de fraude eleitoral. Os três principais candidatos estão no cenário político há anos, mas muitos cidadãos não percebem propostas concretas para os desafios enfrentados.

Êxodo para os Estados Unidos

Enquanto isso, milhares de hondurenhos continuam a buscar uma vida melhor nos Estados Unidos. As remessas dos migrantes representam cerca de um quarto do PIB do país. A relação entre Honduras e os Estados Unidos também é um ponto central nas eleições, especialmente após tensões recentes devido à expulsão de hondurenhos e declarações de apoio de Donald Trump ao candidato conservador.

A aceitação dos resultados eleitorais permanece como uma questão crucial. O último pleito foi marcado por confrontos após o anúncio do vencedor, e especialistas afirmam que a diferença entre os resultados poderá determinar a magnitude da polêmica sobre a fraude eleitoral.

A observação da reação das forças armadas e dos grupos empresariais será vital na determinação do resultado das eleições e no que poderá acontecer em caso de uma crise pós-eleitoral.

E você, o que acha de toda essa situação? Compartilhe sua opinião sobre as eleições em Honduras nos comentários!

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