O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou em entrevista transmitida pela emissora estatal VTV que houve apenas uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Maduro disse que o telefonema aconteceu na sexta-feira, 21 de novembro, enquanto ele se encontrava no Palácio Miraflores, em Caracas, e durou 10 minutos. A primeira frase proferida por Trump, segundo Maduro, foi: “Mr. President Maduro”.
O mandatário venezuelano descreveu a conversa como respeitosa, mas admitiu que as evoluções posteriores não foram agradáveis. Maduro explicou que a ligação foi recebida quando o entrevistador Ignacio Ramonet conduzia o diálogo, e afirmou que, mesmo com o tom cordial, o episódio refletiu tensões no relacionamento entre Caracas e Washington, em meio a recentes ameaças dos EUA no Caribe.
Na ocasião, Maduro destacou que a conversa ocorreu no contexto de acusações de Washington sobre ações norte-americanas na região e reiterou que as tensões continuam acentuadas por causa da mobilização militar dos EUA no Mar do Caribe, alegadamente para combater o narcotráfico. Caracas considera a mobilização um pretexto para tentativa de mudança de regime.
À imprensa, Trump afirmou na última segunda que manteve contato com Maduro “muito recentemente”, mas disse que a conversa não foi frutífera para reduzir a pressão de Washington contra a Venezuela, em meio à campanha para combater o narcotráfico, da qual os EUA alegam o papel da Venezuela. O jornal The New York Times informou que a CIA realizou na semana passada um ataque com drones contra uma instalação portuária na Venezuela, fato ainda sem comentário oficial venezuelano. Além disso, a tensão entre os dois países inclui a ameaça de novas medidas em relação ao petróleo venezuelano, como bloqueio de petroleiros sancionados e apreensão de navios.
Maduro também anunciou, em tom institucional, que no dia 23 de novembro será realizada uma quarta consulta popular, na qual moradores de 5.336 localidades cadastradas escolherão projetos que deverão ser financiados pelo Estado, reforçando a estratégia de participação popular em meio ao acirramento das relações com os Estados Unidos.
Como o panorama permanece tenso e sem sinais claros de aproximação, leitores são convidados a acompanhar os próximos desdobramentos e a compartilhar suas opiniões sobre o impacto dessas ações na situação regional, nas relações entre Caracas e Washington e no cenário de segurança na região. Qual é a sua leitura sobre o papel da intervenção internacional e as respostas de cada parte?

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