Dois policiais militares do Batalhão de Ações Especiais (Baep) foram flagrados agredindo um suspeito durante uma abordagem em Candido Motta, interior de São Paulo, no dia 17 de dezembro do ano passado. Um vídeo gravado por uma testemunha ganhou repercussão nesta semana, revelando cenas de pressão durante a prisão.
As imagens mostram os agentes, supostamente sem mandado judicial, exigindo que o homem passasse a senha do celular. Ao perceberem que estavam sendo filmados, um dos PMs grita para a testemunha: “Filma aí, cuzão. Filma ele resistindo”.
No boletim de ocorrência, os agentes identificados como Eduardo Jamarino Serraglio e Renan Pereira Rodrigues alegam que o suspeito resistiu à prisão, tornando necessária a aplicação de força moderada para imobilização com algemas.
O advogado Ruy Arruda, ativista pelos direitos humanos, disse que as cenas sugerem tortura e que o caso não é isolado, afirmando que esse tipo de prática ocorre com frequência no policiamento.
Independente do que o suspeito tenha feito, as cenas demonstram que a Polícia Militar torturou, e que o procedimento foge totalmente do padrão
Versão da PM: segundo o registro, os agentes receberam uma denúncia de tráfico de drogas em um bar na rua dos Apóstolos. O suspeito, Gustavo Sabino de Oliveira Silva, de 24 anos, fugiu ao perceber a presença dos militares e foi seguido até um imóvel, onde descartou invólucros contendo cocaína.
Durante a abordagem, os PMs teriam encontrado com o suspeito uma sacola com mais invólucros de cocaína e R$ 80 em notas fracionadas. O rapaz confessou comercializar drogas no local. Machucado, ele foi encaminhado ao pronto-socorro; a PM afirma que as escoriações decorrem da fuga, sem mencionar agressões no registro.
Após atendimento médico, Gustavo foi levado ao Plantão Policial de Assis. A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, conforme nota da SSP. Não havia câmeras corporais nos agentes no momento da ocorrência. A SSP informou que o Estado está ampliando o uso das Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) da Polícia Militar com a entrega de 15 mil novos equipamentos, priorizando áreas de maior risco.
Também conforme a SSP, a implantação das COPs segue critérios técnicos da própria corporação e não constitui apenas uma resposta a esse caso específico.
A SSP afirmou que a PM instaurou uma investigação sobre o episódio, apurando cuidadosamente todas as circunstâncias para as medidas cabíveis e mantendo que não compactua com excessos, punindo rigorosamente desvios de conduta.
Galeria de imagens
A Polícia Militar informou também que investiga a conduta dos agentes e que adotará as medidas cabíveis, reforçando que não tolera abusos. O caso é acompanhando pela comunidade e pela imprensa, que aguardam desdobramentos da apuração.
Convido você, leitor, a deixar sua opinião sobre o uso da força em abordagens policiais e sobre a importância de câmeras corporais e COPs para transparência e responsabilização das ações das autoridades. Comente abaixo com suas observações e dúvidas.




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