Acordo UE-Mercosul: avanços, resistências e impactos econômicos
Negociado há 25 anos, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, anunciado nesta sexta-feira (9/1), voltou ao centro do debate internacional e pode ser assinado em poucos dias. A expectativa é que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje já na segunda-feira (12/1) ao Paraguai, país que está na presidência rotativa do Mercosul, para selar o acordo com a América Latina.
A ideia anterior do governo brasileiro era fazer a assinatura durante a cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR), em dezembro último. Mas resistências de países como a França, agora voto vencido, acabaram adiando o fato.
Entenda o acordo com a UE-Mercosul
– O acordo cria uma zona de livre comércio entre os blocos, facilitando o acesso de produtos brasileiros a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores na União Europeia.
– Prevê a eliminação gradual de impostos de importação sobre produtos agrícolas e industriais, o que pode baratear exportações brasileiras e aumentar a competitividade das empresas.
– Setores do agronegócio, como carnes, açúcar, etanol, suco de laranja e grãos, tendem a se beneficiar com menos barreiras para entrar no mercado europeu.
– Ao dar mais previsibilidade às regras comerciais, o acordo pode estimular investimentos estrangeiros no Brasil, especialmente em infraestrutura, indústria e tecnologia.
O acordo envolve os países do Mercosul, Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, e os 27 membros da União Europeia. Juntos, os blocos representam um mercado de cerca de 780 milhões de consumidores e um fluxo comercial bilionário.
As negociações foram concluídas tecnicamente em 2019, mas ficaram travadas por divergências políticas, ambientais e comerciais, sobretudo do lado europeu.
Resistência na Europa
Apesar do apoio da Comissão Europeia, o acordo enfrentou forte oposição de alguns países da União, principalmente França, Itália, Polônia e Hungria. O principal argumento é a proteção dos agricultores europeus, que temem concorrência desleal com produtos do Mercosul, produzidos sob regras ambientais e sanitárias menos rígidas.
A França lidera o grupo contrário ao texto, pressionando por garantias adicionais sobre rastreabilidade, uso de defensivos agrícolas e preservação ambiental. A Itália também afirmou que a assinatura neste momento seria “prematura”, sinalizando que ainda não havia consenso político suficiente dentro do bloco.
Depois da assinatura, o texto ainda precisa passar por ratificação nos parlamentos nacionais da União Europeia e do Mercosul, um processo que pode levar anos e não está livre de novos entraves.
Pressão do Brasil e do Mercosul
Do lado sul-americano, o discurso é de urgência. O governo brasileiro vê o acordo como estratégico para diversificar mercados, reduzir a dependência da Ásia e fortalecer a posição do país no comércio internacional.
Além disso, a equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encara o pacto como instrumento para atrair investimentos e aumentar a competitividade da indústria nacional.
Lula tem adotado um tom firme ao afirmar que não aceitará reabrir negociações nem incluir novas exigências ambientais unilaterais. Segundo interlocutores, o Brasil entende que já fez concessões suficientes e que a demora europeia pode enfraquecer a credibilidade do bloco como parceiro comercial.
Impactos econômicos
Para o Brasil, setores do agronegócio seriam os principais beneficiados no curto prazo, enquanto a indústria poderia ganhar de forma mais gradual, com acesso a insumos mais baratos e tecnologia europeia.
Por outro lado, há preocupação com possíveis impactos sobre segmentos industriais menos competitivos, que poderiam sofrer maior pressão de produtos importados. O governo brasileiro afirma que o período de transição previsto no acordo, em alguns casos de até 15 anos, ajuda a reduzir esse risco.
Em resumo, o acordo oferece oportunidades para ampliar exportações para a UE e atrair investimentos, ao mesmo tempo em que impõe desafios para setores industriais que precisarão se adaptar a regras europeias mais rigorosas e a práticas de sustentabilidade.
E você, qual impacto pretende acompanhar de perto? Deixe seu comentário com sua opinião sobre o acordo UE-Mercosul e o que espera para a economia brasileira nos próximos anos.

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