‘O Apaxes traz a história viva para a avenida’, diz presidente do 1º bloco do Carnaval de Salvador que retorna ao Campo Grande em 2026

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O Bloco Apáxes do Tororó volta à avenida no Carnaval de Salvador em 2026, trazendo a alegria e a história de quase seis décadas. O tema é “A Volta do Rei de Oyó à Tribo Americana Apáxes do Tororó”, em homenagem ao legado do grupo, que contará com aliados de Kiriri, Xukuru-Kariri, Kariri-Xocó e Tupinambá. Os abadás já estão à venda pela plataforma Ingresso Simples: R$ 150,00 (individual) e R$ 250,00 (casadinha).

Para Adelmo Costa, presidente do bloco, o retorno é uma emoção imensa. O Apáxes nasceu no fim dos anos 1960 e foi pioneiro ao levar música própria para a rua, mesmo após a pandemia e a falta de recursos. O grupo volta como parte de um circuito maior, preservando a memória e valorizando Carlinhos Brown como inspiração.

A reconstrução da história envolve parceria com o multiartista Caboclo de Cobre, com o objetivo de fortalecer o grupo e assegurar sustentabilidade para quem faz Carnaval desde a base. A proposta é ampliar a presença do Apáxes na avenida, conectando a cultura indígena com a identidade baiana.

O historiador Caboclo de Cobre destaca a importância de reconhecer a contribuição indígena para a formação da cultura brasileira, desde o Encantado até o Candomblé de Caboclo. O retorno ajuda a manter viva a raiz ancestral, evitando que a história seja reduzida a folclore.

A ausência de apoio financeiro ao longo das décadas fez com que o bloco deixasse a folia em momentos-chave. Adelmo Costa afirma que, apesar de avanços, o aporte recebido ainda não sustenta uma equipe grande — incluindo banda de 300 músicos e a venda de abadás. A proposta é manter a presença de povos originários na folia.

O Apáxes foi pioneiro ao levar um trio ornamentado com som próprio, além de investir em segurança para o público. Também registrou o primeiro LP gravado ao vivo em ambiente externo, na década de 1980, consolidando o bloco como um laboratório da música que inspira o Carnaval atual.

Para 2026, o bloco planeja costurar passado, presente e futuro, com a participação de grupos indígenas das etnias Kiriri, Xukuru-Kariri, Kariri-Xocó e Tupinambá. Figurinos evocam indumentárias cerimoniais e referências da realeza africana de Oyó. Caboclo aposta na Casa Preta Espaço de Cultura para fortalecer núcleos de resistência da periferia que alimentam o desfile.

Para colaborar, a agremiação abriu uma vaquinha destinada a trazer grupos indígenas da Bahia para participar do desfile, cobrindo transporte e alimentação. Doações ocorrerão via Instagram, com o objetivo de ampliar a presença indígena na avenida e ampliar a compreensão sobre suas lutas, indo além do folclorismo do cocar.

A iniciativa é vista como um impulso para reativar o Tororó como polo cultural de Salvador, fortalecendo o turismo local e a memória da cidade. A expectativa é estimular debates sobre racismo, diversidade e o papel dos povos originários na cultura baiana.

E você, o que acha do retorno do Bloco Apáxes do Tororó à avenida em 2026? Compartilhe suas opiniões nos comentários e participe dessa retomada histórica.

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