O Atlético tem conversas avançadas para se reforçar com o atacante Cristian Pavón, em fim de contrato com o Boca Juniors. A provável contratação, porém, desperta críticas de torcedores, porque o argentino de 26 anos foi denunciado por abuso sexual.
Em fevereiro de 2021, Gisela Marisol Doyle o acusou de tê-la violentado na Argentina e levou o caso à Justiça. O jogador nega as acusações.
Diante do cenário controverso, o Atlético designou um profissional para buscar informações sobre o caso. O departamento jurídico do clube entende que não há nada que possa macular a imagem do atleta, apesar da investigação.
Questionado sobre o tema, o presidente alvinegro, Sérgio Coelho, foi cauteloso. A princípio, não quis falar sobre a negociação, já que Pavón tem contrato com o Boca até junho. A partir de julho, está liberado para reforçar o Atlético.
“Falar de um jogador que tem contrato com outro clube eu não me sinto confortável. O Pavón tem contrato até o meio do ano com o Boca. ?? um jogador que pertence ao Boca neste momento. Seria deselegante da minha parte falar sobre ele”, iniciou, em entrevista ao Superesportes.
Em seguida, falou sobre as críticas à diretoria por tentar contratar um jogador acusado de abuso sexual. Sérgio Coelho, então, citou o ‘caso Cuca’. Em 2021, o clube foi cobrado por torcedores por contratar um treinador condenado por violência sexual contra pessoal vulnerável.
“Sobre a questão das críticas, o Cuca quando veio para cá recebeu mil e uma críticas. Nós fizemos nossa avaliação e achamos que deveríamos contratar. Especificamente as críticas em relação ao Pavón que a gente tem visto, é um jogador que não foi condenado, não tem nenhuma condenação, me parece até que o processo está sendo extinto. Vamos aguardar tudo, para um dia lá para frente voltar a falar sobre ele. ?? mais um bom jogador do Boca, mas ele ainda é jogador do Boca”, completou Sérgio Coelho.
Suposto estupro
Episódios anteriores
O Atlético disse o seguinte naquele momento: “O clube mantém a postura de não comentar um assunto que é particular do jogador e que ainda está sendo discutido judicialmente”.
“Robinho foi condenado por estupro e o Galo se calou diante disso, assim como o futebol se cala para o fato de acontecer um estupro no Brasil a cada 11 minutos. Acumulamos histórias de violência de jogadores contra as mulheres e não vamos mais permitir esse silêncio ensurdecedor. Ele já foi condenado e, ainda que caiba recurso, isso não isenta o jogador e o clube de realizarem um profundo processo de reflexão e autocrítica acerca do processo de banalização da violência contra a mulher. Além de acharmos inaceitável a diretoria do Galo não se posicionar, esperamos que não renovem o contrato com o jogador”, disse o grupo.
Um outro grupo de atleticanas fez manifestação de apoio a Robinho naquela época.
Eles ficaram presos durante quase 30 dias e voltaram ao Brasil ao fim da fase de instrução do processo, ainda em 1987.
Em 1989, Cuca, Henrique e Eduardo foram condenados a 15 meses de prisão e multa de 8 mil dólares cada um. Fernando foi penalizado por ter sido cúmplice com três meses de prisão e multa de 4 mil dólares.
Nenhum deles foi ao julgamento – o Grêmio enviou o advogado do clube -, nem cumpriu a pena, já que o Brasil não extradita seus cidadãos.

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