O influenciador digital de extrema-direita Ugo Gil-Jimenez, conhecido como Papacito, será julgado por um tribunal francês após ser acusado de assédio virtual contra a boxeadora Imane Khelif, campeã olímpica em Paris 2024. A audiência está marcada para 26 de fevereiro, conforme informou o Ministério Público de Paris à agência AFP.
Segundo a promotoria, Papacito é acusado de publicar comentários ofensivos e de caráter persecutório na TikTok, rede em que soma mais de 30 mil seguidores. As manifestações ocorreram durante a polêmica envolvendo a atleta, questionada publicamente sobre sua identidade de gênero durante a Olimpíada.
Em agosto de 2024, Khelif registrou denúncia formal às autoridades francesas, descrevendo uma “campanha feroz” de ataques nas redes. A investigação conduzida pelo Ministério Público identificou Papacito como um dos responsáveis pelas publicações que motivaram a abertura do processo.
A defesa argumenta que não houve crime. O advogado Martial Groslambert informou que o cliente “apenas expressou sua opinião no contexto da controvérsia em torno da participação de Khelif na categoria feminina do boxe olímpico”.
Durante os Jogos de Paris, a boxeadora foi alvo de ataques virtuais e de desinformação que a descreviam como “um homem lutando contra mulheres”. A polêmica também envolveu a taiwanesa Lin Yu-ting e foi ampliada por figuras públicas como Donald Trump, Elon Musk e J.K. Rowling, que questionaram a participação de atletas trans.
Imane Khelif conquistou a medalha de ouro na categoria até 66 kg e rebateu publicamente as acusações após a final: “Nasci mulher, vivo como mulher e competi como mulher”.
Papacito tem 39 anos, nasceu em Toulouse e vive atualmente na Espanha. O histórico dele no sistema judicial francês inclui, em 2021, a divulgação de um vídeo em seu canal no YouTube simulando a execução de um eleitor do partido La France Insoumise; em 2024 foi condenado por insultos homofóbicos e incitação à violência contra o prefeito de uma cidade no sudoeste da França, caso que levou à proteção policial da autoridade. O YouTube França encerrou seu canal em junho de 2023.
“O espaço digital não é uma zona sem lei. O assédio virtual pode ter consequências dramáticas para as vítimas”, afirmou à AFP o advogado da atleta, Nabil Boudi.
As audiências ressaltam que o espaço online está sujeito a responsabilidades, principalmente quando envolve atletas que enfrentam ataques públicos. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos desde janeiro de 2025, Elon Musk e J.K. Rowling participaram do debate ao longo do episódio, reacendendo a discussão sobre limites entre opinião e agressão nas redes. Comente abaixo o que você pensa sobre assédio online envolvendo atletas e como a legislação deve responder.

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