Após saída de Lewandowski, PEC da Segurança Pública “subiu no telhado”, diz líder do governo na Câmara

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

A PEC da Segurança Pública, idealizada pelo governo para reorganizar o sistema de segurança no Brasil, está sob pressão e dificilmente será votada no primeiro semestre. A avaliação é do líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), em entrevista ao Valor Econômico nesta segunda-feira (12). O texto foi articulado pelo então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que protocolou a proposta na Câmara em abril. Com a saída de Lewandowski, a tendência é que o tema fique em segundo plano nas pautas deste semestre.

Guimarães indicou que, sem consenso, a prioridade do governo não caminhará. A PEC aguarda a votação do parecer do deputado Mendonça Filho (União-PE) em uma comissão especial, e o líder disse que, em ano eleitoral, não há garantias de aprovação. “Eu acho difícil. É ano eleitoral e essa pauta é muito sensível. Se não houver mudanças no relatório, não faz sentido levar uma PEC ao plenário para ser derrotada”, disse. “Segurança e direitos das minorias são temas que a direita explora com muita desinformação. Acredito que sim [subiu no telhado].”

O líder do governo afirmou, entretanto, que o Palácio do Planalto deveria aproveitar a saída de Lewandowski para reformular e criar o Ministério da Segurança Pública, mas vê a mudança como difícil neste semestre.

“Defendo essa tese. A saída de Lewandowski foi uma surpresa para mim. Mas acho que o governo deveria aproveitar para fazer uma reformulação e criar o Ministério da Segurança, com um quadro preparado para enfrentar o problema em parceria com os governadores”, afirmou Guimarães. Ele completou que não há tempo hábil para a mudança neste momento, e que só após a aprovação da PEC poderá avançar. “E não sei se essa PEC será aprovada neste semestre”, acrescentou.

Entre as prioridades da bancada governista para 2026 está a aprovação da redução da escala 6×1. Guimarães disse que a mudança na jornada semanal é estratégica para responder à nova realidade do mercado de trabalho. “Esse debate precisa ser feito. A redução de jornada não significa, necessariamente, redução salarial. O caminho é semelhante ao que fizemos em outras pautas, como no Imposto de Renda ou no corte de benefícios fiscais: organizar o debate, buscar síntese e construir maioria”, explicou o deputado.

Em síntese, a agenda de segurança pública e reformas trabalhistas segue em pauta, com desafios típicos de um ano eleitoral. E você, qual a sua leitura sobre a PEC da Segurança Pública e as perspectivas para o Ministério da Segurança? Compartilhe sua opinião nos comentários abaixo.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

“Morrer Esperando no HECB”: Justiça manda operar coração em 48h, mas Estado prefere recorrer

Justiça determina angioplastia com implante de stent para Edson Pessoa Santos, paciente de alto risco com insuficiência cardíaca, diabetes e hipertensão, na Bahia....

MP-BA apura falhas no canal de atendimento da Uber após denúncia de consumidor

O Ministério Público da Bahia (MP-BA), por meio da 2ª Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital, instaurou investigação para apurar irregularidades na...

Ministro Flávio Dino suspende quebra de sigilos de Lulinha aprovada pela CPI do INSS

O ministro Flávio Dino, do STF, concedeu nesta quarta-feira (4) uma liminar para suspender a quebra de sigilos bancário e fiscal de Fábio...