Metade da população mundial enfrenta algum nível de perseguição religiosa, diz relatório

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Meta descrição: Relatório 2025 da ACN revela que 4,1 bilhões de pessoas sofrem algum grau de perseguição religiosa em 24 países, com aumento de ataques anticristãos na Europa e América do Norte, incluindo incidentes nos EUA, França, Grécia e Canadá, além de preocupações sobre subnotificação e politização da religião.

Cerca de 4,1 bilhões de pessoas, metade da população mundial, enfrentam algum grau de perseguição religiosa em 24 países, segundo o Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo 2025 da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (ACN). O estudo aponta um aumento de incidentes anticristãos na Europa e na América do Norte, gerando preocupação global.

O relatório destaca que quase 5,4 bilhões de pessoas vivem em países onde ocorrem graves violações da liberdade religiosa. Ele apresenta duas categorias de perseguição definidas pelo falecido Papa Francisco em 2016: perseguição explícita e a chamada “perseguição polida”, construída por pressões legais, culturais ou internacionais mais sutis.

A região ocidental, especialmente Europa e América do Norte, registra mais ataques a locais de culto cristãos. O relatório aponta subnotificação em várias nações da OSCE, com a Finlândia sendo citada como exceção por registrar incidentes desde 2023. O documento reforça que a falta de responsabilização é um problema central nesse ambiente.

Nos Estados Unidos, o estudo mostra aumento de vandalismo e ataques a propriedades religiosas. A Conferência dos Bispos Católicos dos EUA indicou 56 incidentes contra propriedades da Igreja em 2024, e 19 entre janeiro e junho de 2025. Entre os casos notáveis, destaca-se a explosão de um artefato no altar de uma igreja na Pensilvânia, em 6 de maio de 2025, e incêndios criminosos em igrejas em Massachusetts, Arizona e Flórida, entre outubro de 2024.

Na Europa, dados recentes apontam 1.000 incidentes anticristãos na França em 2023 e 600 casos de vandalismo contra igrejas na Grécia. No Canadá, 24 igrejas foram alvo de incêndios criminosos entre 2021 e 2024. O relatório cita ainda aumentos similares na Espanha, Itália, Estados Unidos e Croácia, com profanações de locais de culto, agressões físicas contra o clero e interrupções de serviços religiosos — muitas vezes motivados por hostilidade ideológica, ativismo militante ou extremismo anticristão.

Na região da OSCE, Armênia, Azerbaijão, Ucrândia e Rússia registraram prisões de objetores de consciência que se recusaram a prestar serviço militar por motivos religiosos ou étnicos. Já na Turquia, há restrições sistemáticas ao culto, expressão e igualdade perante a lei. Democracias ocidentais, como a Bélgica, enfrentam pressão para que instituições religiosas forneçam serviços como aborto e suicídio assistido; líderes religiosos belgas também enfrentaram sanções por recusarem ordenar mulheres. Na Austrália, estudos apontam que alguns estados exigem que prestadores de serviços religiosos encaminhem pacientes para serviços conflitantes com suas crenças, e houve caso de confisco de hospital católico por recusa a realizar abortos. Além disso, centros de detenção offshore em Nauru permaneceram sob críticas de grupos de direitos humanos e bispos católicos, com mais de 100 requerentes de asilo detidos em novembro de 2024, o maior número desde 2013.

No Pacífico, países como Nova Zelândia e Timor-Leste mantêm proteções fortes, mas há debates sobre Papua-Nová-Guiné, onde distúrbios violentos em 2024 impulsionaram o primeiro-ministro James Marape a promover uma identidade nacional cristã. O Parlamento aprovou, posteriormente, um projeto de lei declarando o país uma nação cristã, mesmo que líderes religiosos alertem para riscos à diversidade cultural. Durante a visita do Papa Francisco à Papua-Nova Guiná em setembro de 2024, o pontífice pediu respeito pela dignidade humana e denunciou abusos contra a fé, incluindo feitiçaria.

O relatório conclui que a crescente politização da religião e influências externas podem ameaçar a liberdade religiosa e o pluralismo em diversas regiões, exigindo maior responsabilização, transparência e proteção a comunidades religiosas ao redor do mundo.

E você, como enxerga a relação entre política, cultura e liberdade religiosa atualmente? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre esse tema que afeta milhões de pessoas em diversas regiões.

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