Após a pressão diplomática de monarquias árabes — Arábia Saudita, Catar e Omã — o presidente dos EUA, Donald Trump, afastou a perspectiva de ataque ao Irã nas últimas 24 horas, sinalizando distensão na crise. As ações de bastidores visavam evitar graves repercussões na região, segundo relatos de fontes de um alto funcionário saudita.
As manifestações no Irã, iniciadas em 28 de dezembro em protestos contra o custo de vida, deixaram milhares de mortos e intensificaram a repressão do regime teocrático. A Iran Human Rights aponta pelo menos 3.428 mortos; o governo iraniano não divulgou balanço oficial. Nesta quinta, a vida em Teerã parecia ter voltado ao normal, conforme relato de um jornalista da AFP.
A tríade do Golfo realizou um “esforço diplomático de última hora” para convencer Trump a conceder ao Irã espaço para demonstrar boas intenções. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que o Irã se defenderá diante de qualquer ameaça. O Ministério das Relações Exteriores da Suíça, que representa os interesses dos EUA no Irã, confirmou contatos e Berna ofereceu contribuir para a distensão. Também havia previsão de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre o Irã.
Nos EUA, o Tesouro anunciou novas sanções contra funcionários de segurança iranianos e redes financeiras. Apesar das declarações de serenidade, a organização NetBlocks informou que o bloqueio de internet no Irã persiste há uma semana, e vídeos de protestos continuam surgindo na rede. Trump escreveu em Truth Social que “as mortes terminaram” e que “vamos observar” o que acontece depois. A Casa Branca afirmou que todas as opções permanecem sobre a mesa caso haja novas mortes.
Quanto ao Irã, o governo negou que o manifestante Erfan Soltani, detido no fim de semana, tenha sido condenado à morte. A Justiça iraniana informou que, se considerado culpado, ele deve cumprir pena de prisão, não pena capital. O ministro Araghchi reiterou que não haverá execuções hoje nem amanhã. O país também enfrenta sanções internacionais, reforçadas apenas há poucos dias, que mantêm pressão econômica e diplomática sobre Teerã.
O momento segue de cautela: embora haja sinais de distensão, a região fica de olho na evolução da crise, com a comunidade internacional buscando evitar uma intervenção militar direta. Como você enxerga as próximas semanas na relação EUA-Irã e na região? Compartilhe sua leitura nos comentários e participe da conversa.

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