Após 25 anos de negociações, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia será assinado neste sábado, 17 de janeiro de 2026, em Assunção, capital do Paraguai, abrindo uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Juntos, os dois blocos representam cerca de 30% do PIB global e englobam mais de 700 milhões de pessoas. O momento é visto como um impulso ao multilateralismo em meio a incertezas geopolíticas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudaram o acordo como marco para a prosperidade e o multilateralismo. Em declaração após reunião no Rio, Lula afirmou que o pacto é bom para os dois blocos, mas é muito bom, sobretudo, para o mundo democrático e para o multilateralismo. Von der Leyen destacou que o acordo mostra o poder da cooperação e da abertura e que é assim que se cria verdadeira prosperidade.
A assinatura está marcada para Assunção e contará com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e o presidente uruguaio, Yamandú Orsi. A presença de autoridades argentinas é esperada, com a possível participação do presidente Milei. Lula não participará do ato, pois a assinatura foi planejada como um evento ministerial, com a confirmação de autoridades apenas na última hora.
Para o Brasil, o acordo representa a oportunidade de ampliar exportações de carne, soja, arroz e café para a Europa, em troca da abertura do mercado brasileiro para veículos, maquinário, queijos e vinhos europeus. Do lado europeu, há temores de que produtos do Mercosul entrem com normas de produção menos rígidas, provocando protestos de agricultores. Apesar disso, o Conselho Europeu aprovou o acordo em 9 de janeiro, autorizando a Comissão a avançar com a assinatura.
O contexto geopolítico também envolve o cenário norte-americano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem adotado políticas protecionistas e chegou a ameaçar tarifas contra países que não apoiem seus planos. Lula afirmou que a cooperação com a União Europeia vai além do âmbito econômico, ressaltando que UE e Mercosul compartilham valores como democracia, Estado de Direito e direitos humanos. Von der Leyen acrescentou que, além do acordo, há um eixo de investimentos em minerais críticos, com projetos conjuntos em lítio, níquel e terras raras, fundamentais para a transição digital e para a independência estratégica.
Este desfecho sinaliza uma mensagem geopolítica forte diante de disputas comerciais globais e incentivos para fortalecer cadeias produtivas regionais. Fique atento para entender como o acordo pode impactar produtores, consumidores e o equilíbrio de poder no comércio internacional. Comente abaixo com sua opinião sobre os impactos esperados.

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