Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e União Europeia assinaram neste sábado, 17 de janeiro de 2026, um acordo de livre comércio após 25 anos de negociações. A assinatura ocorreu no Gran Teatro José Asunción Flores, em Assunção, marco simbólico do Mercosul desde 1991. O pacto representa uma etapa decisiva em meio a tensões geopolíticas e ao protecionismo global.
Santiago Peña, presidente do Paraguai, destacou que o acordo aproxima dois dos maiores mercados do mundo, Europa e América do Sul, e simboliza o caminho do diálogo. Peña observou que Lula foi o único entre os líderes fundadores do Mercosul ausente no evento, embora tenha elogiado sua contribuição histórica. No dia anterior, Lula recebeu Ursula von der Leyen no Rio de Janeiro para alinhar os próximos passos do acordo. A presidente da Comissão Europeia, von der Leyen, ressaltou que o tratado é “a conquista de uma geração” e que representa uma escolha por comércio justo e benefícios reais para pessoas e empresas.
Eliminação gradual de tarifas para cerca de 90% das exportações entre a UE e o Mercosul está entre os pilares do acordo, com salvaguardas previstas para grandes variações de preço. O pacto prioriza o setor agropecuário no Mercosul e a indústria na Europa, além de abrir espaço para cooperação em meio ambiente, competitividade e reformas institucionais globais. A assinatura encerra uma odisséia iniciada em 1999, com avanços em 2019 e conclusão formal em 6 de dezembro de 2024, após ajustes ambientais e em questões de compras governamentais.
O acordo cria a maior zona de livre comércio do mundo pela população, reunindo 720 milhões de pessoas e com peso econômico de cerca de US$ 22 trilhões. Contudo, a entrada em vigor depende de ratificações em ambos os lados do Atlântico. Na UE, o registro inicial mostra 21 votos a favor, 5 contra (França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria) e uma abstenção (Bélgica). Países como Argentina, Uruguai, Panamá e Bolívia participam das etapas de adesão e acompanhamento.
Brasil enfatiza ganhos de empregos, renda e investimentos recíprocos, com impulso ao agronegócio e à indústria. O chanceler paraguaio Rubén Ramírez Lezcano destacou a importância econômica do acordo, ainda que nenhuma parte esteja 100% satisfeita. O acordo só entrará em vigor após as ratificações formais. E você, o que pensa sobre o maior acordo comercial entre a UE e o Mercosul? Deixe sua opinião nos comentários.

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