Golpista usa IA e imita apresentador de TV em prêmio fake de R$ 50 mil

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Golpes por deepfake envolvendo videochamadas estão ganhando força. Criminosos usam IA para clonar imagem e voz de pessoas reais, enganando vítimas com promessas de prêmios em chamadas que parecem autênticas.

Um dos casos envolveu um suposto apresentador de TV. A vítima recebeu uma ligação de vídeo, via WhatsApp, com a foto de perfil do programa Viva Sorte. Ao atender, surgiu o apresentador Renato Ambrosio, que afirmou que a pessoa havia ganhado R$ 50 mil. O golpe pediu a chave Pix e o CPF para a transferência e orientou a vítima a compartilhar a tela do celular.

A vítima relatou que o golpe parecia real, chegando a dizer: “Parecia tudo muito real”. Preocupada, ela chegou a buscar outro celular para não expor dados, mas a suspeita só aumentou quando o golpista pediu que filmasse o aplicativo do banco.

A servidora registrou a tentativa na Polícia Civil do DF. Mesmo sem ter passado dados bancários, a imagem e o CPF ficaram expostos. Ela, porém, encerrou a ligação e viu que não houve prejuízo financeiro após consultar o Gov.br, onde verificou que não havia contas ou empréstimos ativos em seu nome.

Casos adicionais chegaram a Marília, no interior de São Paulo. Um casal de aposentados, de 72 anos, recebeu a mesma invitável encenação. Uma videochamada anunciava um prêmio de R$ 50 mil. Eles abririam contas digitais, enviaram documentos e fotos, receberam um depósito inicial de R$ 6 mil e, em seguida, transferências via Pix e empréstimos em nome das vítimas, totalizando mais de R$ 30 mil em prejuízo. O golpe só foi percebido após a vizinha avisar.

Diante das ocorrências, Renato Ambrosio publicou um alerta nas redes sociais: não liga para ninguém, não pede dinheiro por telefone e não envia prêmios por meio de contatos desconhecidos. Em suas palavras, se alguém ligar com seu rosto, é golpe. Ele orienta bloquear imediatamente e pedir que familiares ajudem a evitar que pais e mães caiam em fraudes.

A empresa Viva Sorte também reforçou as mensagens de alerta. Disse que não envia links suspeitos por WhatsApp, não cobra taxas para recebimento de prêmio e não solicita a confirmação do prêmio. Não compartilhe a tela nem envie dados bancários. A plataforma afirma que não houve vazamento de dados e que as informações dos clientes estão protegidas pela LGPD, com medidas legais em andamento diante das denúncias.

Especialistas destacam a dificuldade de identificação desses golpes. O professor Lucas Karam, especialista em direito digital e IA, lembra que hoje existem ferramentas gratuitas capazes de clonar vozes, imagens, gestos e expressões com perfeição, tornando quase impossível distinguir o real do artificial à primeira vista.

Segundo o pesquisador, as narrativas criadas por deepfakes fortalecem a credibilidade das fraudes, principalmente quando pessoas famosas aparecem como financiadoras ou apresentadoras de programas. Embora ainda não exista uma lei específica para IA no Brasil, outros dispositivos legais, como falsidade ideológica e fraude eletrônica, podem enquadrar essas condutas quando existe uso indevido da imagem para obter vantagens financeiras.

Karam ressalta a importância do senso crítico e da checagem em fontes confiáveis antes de qualquer decisão. Filtrar informações e desconfiar de abordagens que exigem ações rápidas são as melhores formas de se proteger nesse cenário digital em evolução.

Se você já passou por uma situação parecida ou tem dicas de como reconhecer sinais de deepfake, compartilhe nos comentários para ajudar outras pessoas a ficarem mais atentas e seguras. A sua experiência pode fazer a diferença para evitar que mais moradores sejam enganados.

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