O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista ao Uol nesta segunda-feira (19) que os fundos de investimento, hoje regulamentados pela CVM, deveriam passar a ser supervisionados pelo Banco Central. Ele apresentou uma proposta para ampliar o perímetro regulatório do BC e colocar sob sua fiscalização os fundos, citando a necessidade de maior integração entre supervisão, contabilidade pública e operações financeiras. Haddad destacou que, no momento, a iniciativa é dele e ainda está em debate no Executivo, não representando uma decisão do governo Lula. Hoje, a regulamentação dos fundos fica a cargo da CVM, autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, com autonomia financeira, orçamentária e administrativa.
Ele argumenta que ampliar o poder de fiscalização do BC centralizaria funções que hoje se cruzam entre fundos e finanças, deixando tudo em um único órgão. A ideia é ter o BC na linha de frente da regulação, o que facilitaria o controle sobre a contabilidade pública, contas remuneradas e operações compromissadas — itens que, segundo Haddad, estão interligados hoje entre os dois ambientes.
O ministro também mencionou o caso Master como possível “maior fraude bancária da história do país”. A PF investiga, na Operação Compliance Zero, o uso de fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio do Master, com o objetivo de viabilizar fraudes bilionárias do banco de Daniel Vorcaro. Em resposta a irregularidades, o Banco Central liquidou o Master e, recentemente, decretou a liquidação da empresa que geria os fundos do grupo da Reag Investimentos, já sob suspeitas de ligações com o PCC, apontadas pela operação.
O conjunto de episódios reforça o debate sobre a necessidade de maior supervisão. Haddad sinaliza que o tema ganha espaço no Executivo, sinalizando uma possível readequação regulatória para fortalecer a estabilidade do sistema financeiro. A avaliação, no entanto, depende de discussões técnicas e políticas entre as esferas governamentais.
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