Em Davos, o presidente da França, Emmanuel Macron, pediu aos parceiros da União Europeia que não hesitem em usar o mecanismo anti-coerção, conhecido como bazuca comercial, sempre que as regras do jogo não sejam respeitadas. Ele disse que a Europa precisa manter a calma, mas não aceitar passivamente a lei do mais forte, alertando para um mundo onde ambições imperialistas ressurgem.
A fala de Macron acontece em meio a ameaças do atual presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifas de 10% aos países europeus que realizarem manobras militares na Groenlândia — entre eles Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Suécia, Noruega e Reino Unido — e, ainda, 200% sobre vinhos e champanhes franceses caso Paris não aceite participar de uma Junta de Paz para Gaza. Macron afirmou que, com a Groenlândia, não ameaçamos ninguém; apoiamos um aliado, a Dinamarca.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou que seria um erro impor tarifas, especialmente entre aliados de longa data, e lembrou o pacto entre Washington e Bruxelas que previa uma tarifa geral de 15% sobre bens produzidos na UE quando importados para os EUA.
No discurso, Macron defendeu que a Europa esteja pronta para defender o multilateralismo e avance rumo a mais soberania e autonomia, em um mundo que tende a lei do mais forte. Ele também mencionou a cooperação internacional em fóruns como as Nações Unidas e o G7, que a França preside neste semestre, destacando a necessidade de uma resposta comum aos desafios globais.
Sobre o próximo G7, Macron havia convidado Trump para discutir as tensões, em Paris, mas o presidente americano ainda não respondeu. Trump, por sua vez, anunciou que manterá uma reunião com as diferentes partes sobre Groenlândia em Davos, e o presidente francês não comparecerá ao encontro. O líder europeu reforçou que a Europa é um espaço onde o Estado de direito e a previsibilidade continuam a orientar as relações entre seus parceiros.
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