O deputado estadual Kléber Cristi an Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (PRD), prestou novo depoimento à Justiça nesta quinta-feira (29). A audiência ocorreu no Fórum Desembargador Filinto Bastos, em Feira de Santana, encerrando a fase de oitivas da Operação El Patrón, que o investiga por suspeita de chefiar uma milícia na região. O conteúdo do depoimento não foi divulgado; Binho já havia sido interrogado no dia 1º de dezembro, em outra etapa da instrução.
O parlamentar é investigado por crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e receptação de peças de veículos roubados. Ao longo das oitivas, foram ouvidas 80 testemunhas, sendo 77 arroladas pela defesa e 3 pela acusação. Entre os depoentes na última sessão estiveram Mayana Cerqueira da Silva, esposa do deputado, Roque Carvalho, policial militar investigado, Jackson Macedo Araújo Júnior, também policial militar, e Thiere Figueiredo Silva, que figura entre os réus, conforme a TV Subaé.
Histórico de audiências O processo foi aberto em setembro do ano passado, mas enfrentou adiamentos devido ao grande número de testemunhas e à indisponibilidade de algumas delas. As primeiras audiências ocorreram nos dias 23 e 24 de setembro; a sessão prevista para 25 de setembro foi suspensa após o depoimento do deputado federal João Carlos Bacelar. O depoimento dele foi colhido apenas em 1º de dezembro, tornando-se a última testemunha ouvida antes dos interrogatórios dos réus.
Prisão e investigações Binho Galinha foi preso em 3 de outubro do ano passado, dois dias após ter sido considerado foragido pela Justiça, no âmbito da Operação Anômico, desdobramento da El Patrón deflagrada pela Polícia Federal. As investigações apontam que o grupo liderado pelo deputado utilizava empresas de fachada para lavar recursos oriundos de atividades criminosas, incluindo a venda de peças de veículos roubados por meio de uma loja de autopeças em Feira de Santana. Atualmente, o parlamentar permanece custodiado em uma sala de Estado-Maior no Centro de Observação Penal, no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.
Entendimento do STF O STF estabeleceu que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas a crimes cometidos durante o mandato e diretamente ligados às funções parlamentares. Crimes praticados antes do mandato ou sem relação com a atividade política devem ser processados pela primeira instância. A Justiça ressaltou que a maior parte dos ilícitos investigados ocorreu antes do atual mandato.
Próximos passos Com o encerramento da fase de instrução, o caso segue para a defesa e a acusação apresentarem as alegações finais. Em caso de condenação, a soma das penas pode superar 50 anos de prisão.
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