A nova chefe da missão diplomática dos Estados Unidos na Venezuela, Laura Dogu, chegou a Caracas e assume, de imediato, o papel de encarregada de negócios, em meio a um processo de retomada gradual das relações entre os dois países rompidas em 2019.
Maduro foi capturado por forças americanas durante uma operação em 3 de janeiro, fato que marcou o afastamento entre os governos. A então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o poder e promoveu uma mudança na relação com Washington, cedendo controle sobre o setor petrolífero e anunciando uma anistia geral, além do fechamento da prisão de El Helicoide, denunciada como centro de torturas pela oposição.
A embaixadora Laura Dogu chefia a missão, ainda que inicialmente como encarregada de negócios. Em sua conta no X, a diplomata escreveu em espanhol: “Minha equipe e eu estamos prontos para trabalhar”, acompanhando a mensagem com duas fotos no aeroporto de Caracas. Não há, porém, informação sobre a duração da estadia ou a agenda prevista.
O chanceler venezuelano Yván Gil informou, no Telegram, que houve uma reunião com Dogu para traçar um “mapa do caminho de trabalho” em temas de interesse bilateral, alinhando passos para a reabertura da embaixada, que ficou fechada desde 2019, e para o avanço de agenda comum.
Histórico recente mostra que a relação foi estremecida quando a Venezuela rompeu “em 2019” após não reconhecer a reeleição de Maduro. Nos anos seguintes, a oposição, liderada pela vencedora do Nobel da Paz María Corina Machado, denunciou irregularidades eleitorais, enquanto Washington manteve sanções fortes, especialmente no setor petrolífero, sob a administração que antecedeu e teve reviravoltas com a nova gestão.
Contexto atual aponta que a nova relação tem sido boa, com diálogo frequente entre autoridades americanas e venezuelanas. O Departamento de Estado tem sinalizado conversas sobre o retorno de voos comerciais entre os dois países e a atração de investimentos privados na indústria petrolífera, com o objetivo de estimular a economia venezuelana e consolidar a normalização.
Perspectivas políticas também incluem a atuação de senadores e figuras da Secretaria de Estado, como Marco Rubio, que ressaltaram a importância de um caminho estável para Caracas. Em 2025, Donald Trump retornou à Casa Branca, inaugurando uma nova fase de pressão e mobilizações no Caribe, o que complica ou acelera as perspectivas de normalização, conforme o ritmo das negociações.
Situando o panorama institucional, a embaixada de Dogu na Venezuela é parte de uma reforma do setor de petróleo venezuelano, que busca atrair capital externo, incluindo o norte-americano, e abrir espaço para iniciativas privadas, ao mesmo tempo em que o país discute o retorno de conectividade aérea entre as duas nações.
Outros pontos de contexto destacam que a Venezuela mantém prisões políticas sob críticas de organizações de direitos humanos, com a amostragem de cerca de 700 casos segundo entidades da sociedade civil. A promessa de um “novo sistema de Justiça” é mencionada por críticos e organizações não governamentais, que pedem reformas estruturais para reduzir a corrupção e favorecer decisões independentes.
Concluímos que a presença de Laura Dogu marca um passo simbólico e prático na tentativa de reconciliação entre Caracas e Washington, com foco em atrair investimentos, normalizar fluxos e explorar o retorno de atividades institucionais, como voos comerciais. Como você enxerga essa retomada das relações entre Venezuela e EUA? Deixe seu comentário e compartilhe sua opinião sobre os impactos para a região.

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