Considerado foragido desde abril de 2024, Rodrigo dos Santos Martins, apontado como o líder da rede vinculada aos “influencers do bagulho”, foi preso pela Interpol no último sábado (31/1), na Suíça. Ele integrava o último núcleo de um sofisticado esquema internacional de tráfico de drogas que ainda estava fora da prisão.
Condenado em primeira instância a 24 anos, 5 meses e 22 dias de prisão em regime fechado, além de 1.383 dias-multa, Rodrigo responde por tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de capitais. O chefe da quadrilha tinha mandado de prisão preventiva em aberto e era alvo de difusão vermelha pela Interpol.
O grupo foi alvo da operação Refil Verde, em abril de 2024, conduzida pela Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) da Polícia Civil do DF. A apuração mostrou a rota do óleo de THC, desde a compra na Califórnia até o envase em São Paulo e a distribuição pelos Correios. A companheira do traficante, Yasmin Nadai Martins, foi presa pela Interpol em Frankfurt, na Alemanha, em junho do ano passado.
Ao lado da mulher, Rodrigo vivia como uma celebridade internacional. O casal viajava com frequência para os Estados Unidos e países da Europa, hospedando-se em endereços exclusivos e exibindo luxo em círculos privados. Nas viagens, evitava aeroportos brasileiros, optando por rotas alternativas para escapar dos radares da polícia. Pouco antes da ação, o casal parecia próximo de obter a cidadania italiana.
A investigação revelou uma engrenagem típica de cartéis: o óleo de THC era comprado na Califórnia e enviado ao Brasil escondido em potes de cera para depilação. No Paraguai, a carga cruzava a fronteira até São Paulo, onde era manipulada e envasada em refis de cigarros eletrônicos. A distribuição ocorria pelos Correios, camuflada em colas para bastão. Profissionais de TI do Rio de Janeiro criaram websites que vendiam os produtos como supostos medicamentos, enquanto influenciadores contratados promoviam os itens em redes sociais, alcançando consumidores em todo o país. A organização ainda utilizava contas bancárias de terceiros, empresas fantasmas e perfis digitais para lavar o dinheiro do tráfico.
Galeria de imagens










Conclui-se que o grupo operava numa rede ampla, com atuação de influenciadores digitais, sites de venda que simulavam remédios e estruturas financeiras para ocultar o dinheiro provenantede do tráfico. A linha de investigação aponta para uma organização que unia pessoas em diferentes países, com ramificações no Brasil, Paraguai, Alemanha e Suíça, nos mais diversos espaços da cadeia logística e financeira do crime.
Os investigadores destacam que a investigação continua em andamento, com novas ações para desbaratar eventuais núcleos remanescentes e apurar o fluxo financeiro internacional ligado ao tráfico de THC. As autoridades reforçam a importância da cooperação entre países para enfrentar redes que atuam de forma tão globalizada.
Se você acompanha casos de crime transnacional ou tem informações sobre operações semelhantes, compartilhe seus comentários abaixo. Sua opinião ajuda a entender os impactos dessas redes na segurança pública e no cotidiano das cidades.

Facebook Comments