A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga uma denúncia de discriminação contra um menino de 6 anos diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA) na academia Unique, no Sudoeste, em Brasília. A mãe, de 49 anos, alega que o filho foi impedido de se matricular em aulas de judô e natação por ser autista. O caso tramita na Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin).
Segundo a mãe, no dia 2 de fevereiro de 2026 ela levou o menino para aulas experimentais nas duas modalidades e o acolhimento foi positivo até a revelação do diagnóstico. A partir de então, a criança teria virado alvo de discriminação, inclusive por parte de um coordenador do contraturno. Procurada pela reportagem, a família pediu para manter a identidade da criança em sigilo.
A Unique informou, por meio de nota, que não compactua com qualquer prática discriminatória. A academia afirma adotar as aulas experimentais justamente para que a criança conheça o programa e para que a equipe avalie, com responsabilidade, se há condições seguras para a participação nas atividades coletivas. Todas as decisões de aceitação ou não de matrícula têm como único critério a segurança da criança e do grupo, levando em conta a estrutura disponível e o modelo de atendimento. Quando é identificada a necessidade de acompanhamento exclusivo e contínuo de um profissional, a academia reconhece seus limites operacionais e não assume um serviço para o qual não possui estrutura adequada.
A Unique também destacou que atende atualmente diversas crianças neurotípicas, sempre com respeito, cordialidade e foco no bem-estar e na segurança de todos. A empresa afirmou ter prestado esclarecimentos às autoridades competentes e permanece à disposição para quaisquer dúvidas.
Quanto ao garoto, ele nasceu com TEA de suporte 3, não verbal, com sensibilidade extrema e dificuldade para dormir. Com terapias e socialização, evoluiu para o nível de suporte 2 e já há expectativa de chegar ao 1. Com estímulos, começou a falar aos 3 anos; hoje é verbal, estuda em escola particular e não precisa de auxílio, o que leva a mãe a acreditar que ele tem condições de participar de atividades coletivas.
A mãe lembrou que a palavra “autista” foi a virada de chave para a equipe, segundo ela, com relatos de que a academia não poderia receber uma criança como o filho. Em resposta, a Unique reiterou que a segurança é o critério principal para as decisões de matrícula e que a instituição permanece à disposição para esclarecer qualquer dúvida adicional.
O caso segue sob apuração. A Decrin continuará avaliando as circunstâncias descritas pela família e a posição da academia, buscando entender se houve ou não prática discriminatória e quais medidas cabem aos envolvidos.
Para entender os desdobramentos e os desfechos, acompanhe os próximos capítulos desta pauta. E você, o que pensa sobre a atuação de academias em casos de TEA? Deixe sua opinião nos comentários e participe da conversa.

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