Em entrevista publicada nesta terça-feira por jornais europeus, o presidente francês Emmanuel Macron classificou o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul como ruim, antigo e mal negociado. Afirmou defender acordos justos, com salvaguardas que protejam o clima, ao mesmo tempo em que promovem a economia europeia. Em uma semana de debates sobre competitividade e indústria, ele pediu simplificação, aprofundamento do mercado interno e diversificação dos acordos, defendendo a preferência europeia em setores estratégicos como tecnologias limpas, química, aço, automóveis e defesa para evitar perder espaço para importações externas.
Nesta terça-feira, o Parlamento Europeu adotou uma salvaguarda para proteger os agricultores da região contra a concorrência de preços mais baixos da América do Sul. O mecanismo permite restabelecer tarifas temporárias se, em média nos três anos anteriores, os preços de importação do Mercosul caírem pelo menos 8% ou se o volume das importações aumentar pelo menos 8%. A Comissão tem três meses para decidir sobre o restabelecimento das tarifas. A medida atinge carne bovina, aves, ovos e mel, além de arroz, açúcar, etanol e alho, e surge em resposta aos protestos de agricultores franceses, com resistência também na Polônia, Hungria e Romênia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinou o acordo no Paraguai em meados de janeiro. A aprovação pelo Parlamento ainda depende de um parecer do Tribunal de Justiça da União Europeia e deverá levar meses; somente após a revisão o Parlamento poderá votar a confirmação. Mesmo assim, a implementação prática pode não mudar drasticamente; assim que um país do Mercosul aprovar, a Comissão Europeia poderá colocar o tratado em vigor provisoriamente. O objetivo é eliminar a maior parte das tarifas, com a expectativa de que as exportações da UE para os países do Mercosul aumentem em até 39%.
Além disso, Macron alertou que as ameaças dos EUA no comércio não desapareceram e pediu uma resposta europeia mais firme para evitar tarifas adicionais sobre diversos setores. Em relação à Rússia, ele defende que a retomada do diálogo com Vladimir Putin seja coordenada entre os europeus, com número limitado de interlocutores, citando contatos técnicos que reconstruíram canais de diálogo, ainda que, segundo ele, a Rússia não deseje a paz no momento.
Essas posições mostram a tentativa de a UE equilibrar interesses comerciais com proteção de setores sensíveis, buscando salvaguardas eficazes, diversificação de parcerias e uma postura firme diante de pressões externas. A tramitação do acordo depende de etapas legais e políticas que podem se estender, mas a União Europeia já sinaliza interesse em ampliar exportações para o Mercosul, caso as condições sejam atendidas. E você, o que acha sobre as salvaguardas agrícolas ou sobre o equilíbrio entre comércio e clima? Deixe seu comentário abaixo e participe da discussão.

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