A Polícia Civil de São Paulo identificou o piloto da Latam, Sérgio Antônio Lopes, 60 anos, como peça central de uma rede de abuso sexual de crianças e adolescentes. Em investigação da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, ficou evidente que as movimentações financeiras associadas ao esquema se prolongaram por anos.
As contas abertas em uma plataforma digital eram usadas para transferências recorrentes de dinheiro e funcionavam como instrumento de controle, dependência e silenciamento. Sérgio conduzia pessoalmente a abertura das contas, mantendo acesso indireto às movimentações.
Ele foi preso na manhã de segunda-feira, 9 de fevereiro, no Aeroporto de Congonhas, já a bordo de um avião da Latam com destino ao Rio de Janeiro. Mesmo com a prisão, a aeronave seguiu o trajeto previsto.
As movimentações não eram casuais: os depósitos eram transferências fracionadas e periódicas, usadas após encontros com as vítimas para evitar alertas automáticos e pulverizar rastros. O dinheiro também servia como forma de recompensa quando as exigências eram cumpridas e como coerção discreta quando havia resistência.
“Ele usava o laço de confiança com as vítimas, crianças sem discernimento, seduzidas com presentes, passeio, dinheiro. Elas acabavam não vendo maldade e não tinham noção do abuso que vinham sofrendo”, disse a delegada Luciana Peixoto, responsável pelas investigações, em entrevista exclusiva ao Metrópoles.
Segundo a apuração, as contas eram usadas para recebimentos de valores transferidos pelo piloto em montantes fracionados, buscando evitar alertas automáticos e criar diversos rastros. As transferências ocorriam logo após encontros ou em períodos em que o investigado demandava novos contatos.
Contas abertas por menores
O Metrópoles encontrou na plataforma NG Cash um serviço que permite abrir contas bancárias para menores de 18 anos. Em nota encaminhada à reportagem, a empresa afirmou seguir as regras do Banco Central para esse tipo de abertura. Sobre crianças e adolescentes de 10 a 17 anos, a plataforma informou que é possível abrir contas “normalmente” e utilizar o app, com a validação do responsável realizada posteriormente para liberar todas as funções e aumentar limites mensais.
Além das transferências, a polícia identificou que o piloto orientava como o dinheiro deveria ser utilizado e, em alguns momentos, cobrava satisfação com gastos. O objetivo não era apenas pagar, mas manter o controle contínuo sobre a rotina das vítimas. O acesso ao dinheiro também funcionava como recompensa quando as exigências eram cumpridas e como ameaça implícita quando havia resistência.
“As vítimas se sentiam até culpadas, porque diziam que precisavam ajudar em casa, comprar comida, porque estavam passando por necessidade. Era isso que ele falava para introduzir o ‘tio Sérgio’, o salvador, que ia ajudar na situação financeira da família. É triste ouvir isso de crianças; é uma narrativa montada para exploração sexual”, ressaltou a delegada da Delegacia de Combate à Pedofilia.
O Banco Central afirma que menores de 18 anos não emancipados precisam ser representados pelo responsável legal para abrir uma conta, para que o adulto possa acompanhar a movimentação financeira. Em relação ao NG Cash, a empresa disse seguir rigorosamente as regras do BC para contas de menores, acrescentando que crianças entre 10 e 17 anos podem abrir contas normalmente. A validação do responsável é feita posteriormente para liberar funções e aumentar limites.







As movimentações bancárias do piloto não eram acidentais e somavam quantias relevantes ao longo do tempo, associadas aos períodos de maior contato com as vítimas. A investigação aponta que o uso do dinheiro visava consolidar o controle financeiro e facilitar a continuidade do abuso.
Este caso envolve questões complexas sobre proteção de menores, plataformas de contas digitais e regras do Banco Central destinadas a evitar abusos. A polícia e as autoridades continuam analisando os elementos para responsabilizar os envolvidos.
Convido você a compartilhar sua opinião sobre as medidas de proteção a menores e o papel da tecnologia na prevenção de crimes dessa natureza. Quais ações você acha que podem fortalecer a fiscalização e a segurança das famílias?

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