Overclean: empresário que “comprou” prefeitos falou com deputados

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PF aponta esquema de emendas e fraudes em quatro anos; Baldino é alvo da operação Overclean

A quinta fase da Operação Overclean levou a Polícia Federal a bloquear ativos de investigados no valor de R$ 85,7 milhões e a afastar um servidor público. A apuração aponta que o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em quatro anos, envolvendo recursos de emendas parlamentares e contratos de infraestrutura.

Entre os apontados, está o empresário Evandro Baldino do Nascimento, ex-vereador e sócio de empresas do setor de construção civil, cuja atuação é vinculada a negócios com prefeituras baianas. A PF indica que Baldino atuava como articulador logístico e operacional em fraudes de licitações em municípios como Oliveira dos Brejinhos e Campo Formoso, reduto do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA).

Segundo as investigações, Baldino intermediava contratos entre prefeituras e empresas investigadas, além de facilitar tratativas para direcionamento de obras financiadas com emendas parlamentares. Em fases anteriores da operação, o empresário chegou a ser preso preventivamente, mas recebeu habeas corpus que o manteve em liberdade. Mesmo assim, seu nome aparece em diálogos com assessores e gestores municipais.

Mensagens obtidas pela PF revelam discussões sobre pagamentos a prefeitos, com perguntas sobre a forma de repasse — “PIX ou papel” — e a comemoração de recebimentos. A investigação aponta indícios de pagamentos fracionados para evitar alertas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a necessidade de acompanhar o fluxo financeiro das empresas ligadas ao grupo.

A PF também analisa movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada por pessoas ligadas ao grupo. A quinta fase da operação, autorizada pelo STF, ampliou o escopo de apuração para entender a dimensão real do esquema.

Bloqueios milionários e nova fase A quinta fase da Overclean bloqueou ativos de investigados no valor de R$ 85,7 milhões e afastou servidor público. Ao todo, a investigação aponta que o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em quatro anos. Os crimes investigados incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações, embaraço à investigação e lavagem de dinheiro.

Os crimes investigados incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações, embaraço à investigação e lavagem de dinheiro.

A PF segue analisando o conteúdo dos celulares apreendidos e o fluxo financeiro das empresas e de pessoas ligadas ao empresário para mapear o alcance da suposta rede de pagamentos envolvendo prefeituras e emendas parlamentares.

Diálogos, pagamentos e a relação com prefeitos

Condições de pagamento e repasses a prefeitos, discutidas entre interlocutores, destacam a discussão sobre formas de pagamento — incluindo o eventual uso de modalidades como depósitos fracionados — que teriam como objetivo dificultar o monitoramento financeiro. As evidências apontam que tais transações ocorreriam em cidades sob influência de emendas e de redes políticas locais.

De vereador a operador em contratos milionários Baldino foi vereador e chegou a presidir a Câmara Municipal de Várzea do Poço. Nos últimos anos, passou a atuar na infraestrutura e pavimentação, mantendo ligação com empresas investigadas, como Alpha Pavimentações e a Construtora Impacto. A PF aponta que ele atuou como elo entre prefeituras e empresas, além de envolvimento com obras custeadas com emendas parlamentares.

A investigação indica que, mesmo após a prisão e a soltura, Baldino continua citado em diálogos com assessores e gestores municipais, reforçando a hipótese de uma rede de favorecimentos vinculada a recursos de emendas parlamentares e contratos de infraestrutura.

A PF avança na conclusão de seu relatório, com análise de celulares e do fluxo financeiro das empresas ligadas ao empresário, para entender o alcance da suposta rede de pagamentos e o real tamanho do esquema.

E você, o que acha das evidências apresentadas pela Polícia Federal e do impacto de possíveis desvios de recursos públicos em cidades da Bahia? Compartilhe suas opiniões nos comentários e participe da discussão sobre transparência, licitações e gestão de emendas parlamentares.


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