Padrões de violência juvenil no Distrito Federal se repetem ao longo de décadas

O Distrito Federal assiste, mais uma vez, a mortes de jovens após espancamentos durante brigas de rua. Os casos recentes de Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, 16 anos, e Leonardo Ferreira da Silva, 19, ocorridos em poucos dias, expõem um padrão que atravessa décadas: discussões banais evoluem para violência extrema, ataques de grupos e vítimas que mal têm condições de se defender.

O roteiro não é novo. Desde o início dos anos 1990, episódios semelhantes marcaram a história da capital da República. Casos emblemáticos, como o de Marco Antonio Velasco, em 1993, e o do promotor de eventos Ivan Rodrigo da Costa, o Neneco, em 2006, mostraram como a violência coletiva se repete ao longo do tempo.

Em 1993, Velasco, de 16 anos, foi morto por integrantes da gangue Falange Satânica na quadra 316 Norte. O líder da gangue, Gengis Kayne de Brito, apresentou-se à polícia sem saber da morte da vítima; quatro adultos foram condenados a 28 anos, mas ficaram pouco tempo presos, e um menor sumiu. O episódio tornou-se símbolo da violência de gangues juvenis dos anos 90.

Em 21 de agosto de 2006, o promotor de eventos Ivan Rodrigo da Costa, o Neneco, de 22 anos, morreu após ataque de cinco agressores que desceram de um carro para imobilizá-lo. Quase todos eram praticantes de lutas ou capoeira. Neneco recebeu golpes que o deixaram sem defesa; os acusados foram condenados por homicídio triplamente qualificado em 2013, mas a violência expressiva permaneceu como referência de um padrão de agressão desproporcional.

Em 5 de fevereiro de 2021, João Victor Costa de Oliveira, 19, foi morto após uma discussão em um bar em Planaltina. Quatro réus foram denunciados por homicídio duplamente qualificado, com penas que variaram de 12 a 30 anos.

Em 15 de outubro de 2021, Daniel Junio Rodrigues Freitas, 24, foi morto após desentendimento em um bar da QE 40 do Guará 2. Um vídeo registrou o ataque na rua. Em 17 de novembro de 2022, todos os réus foram absolvidos por falta de provas materiais; outros três acusados também foram absolvidos.

Em janeiro e fevereiro de 2026, o caso de Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, 16, ganhou contornos novos: ele morreu após ser atingido em Vicente Pires por um golpe que o jogou contra a lataria de um carro. O suspeito, Pedro Turra, 19, permanece preso preventivamente, enquanto o julgamento aguarda andamento. Pouco depois, Leonardo Ferreira da Silva, 19, morreu no Sobradinho I após briga de rua; o agressor e o homem que filmava foram presos em flagrante.

Analisando 33 anos, alguns elementos aparecem repetidamente: conflitos iniciados por desentendimentos banais; ataque coletivo a uma vítima isolada; violência desproporcional; golpes na cabeça como detonadores; filmagens ou testemunhas que incentivam; e jovens entre 16 e 24 anos entre as principais vítimas. Se nos anos 90 o temor vinha das gangues organizadas, hoje a preocupação envolve a banalização da violência e sua exposição nas redes sociais.

A capital, planejada para simbolizar modernidade e organização, carrega uma linha do tempo marcada por episódios de brutalidade juvenil que atravessam gerações, exigindo respostas da sociedade e das autoridades.

Em síntese, o que se observa é uma continuidade inquietante: mesmo quando rostos e cenários mudam, a essência da violência jovem permanece e se adapta às mudanças sociais e tecnológicas. O desafio está em entender o que move esses episódios e como prevenir que se repitam.

E você, o que acha que pode contribuir para evitar que esse ciclo se repita? Compartilhe sua opinião nos comentários abaixo e participe da conversa sobre segurança, educação e políticas públicas para a juventude.