A Dipol da Polícia Civil de São Paulo aponta que o PCC opera com doze sintonias para gerenciar o crime no Brasil e no exterior, além de apresentar um organograma atualizado da facção. A investigação, citada pela imprensa, foi divulgada após apuração do Dipol e informações repassadas pelo SBT News.
Entre as estruturas, destaca?se a “Sintonia Final” como comando central, com a “Sintonia do Sistema” e a “Sintonia da Rua” atuando em camadas distintas. Existe ainda a chamada “Setor Raio?X”, uma espécie de corregedoria interna que audita as contas de cada braço da organização. O documento aponta diversas sintonias regionais e internacionais.
O Dipol identifica o novo braço da facção: a “Internet e Redes Sociais”. Segundo as investigações, esse núcleo gerencia as comunicações online, coordena contatos entre integrantes por aplicativos, redes sociais e e?mails criptografados, funcionando como núcleo técnico de comunicação. A ala responde à cúpula da facção, liderada por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Essa ala é chefiada por André Luiz de Souza, o Andrezinho, e Eduardo Fernandes Dias, o Destino, que respondem diretamente à Sintonia Final. A estrutura é descrita como núcleo que mantém unidade ideológica, monitora publicações e oferece suporte digital aos integrantes.
A “Internet e Redes Sociais” conta com 15 integrantes, além dos dois chefs. Entre eles estão: Júlio Cesar Guedes de Moraes, o Julinho Carambola; Rinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal; Cláudio Barbará da Silva, o Barbará. Dos 15, apenas um não está preso: Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão.
“É o comando central, enquanto as outras sintonias são ramificações que aplicam decisões de forma regional, restrita ou operacional”, afirmou o Dipol. Além da Sintonia Final, existe a “Sintonia do Sistema” — nível estratégico com atuação dentro do sistema prisional — e a “Sintonia da Padaria”, ramo financeiro que cuida de recursos e logística da facção.
Há ainda a chamada “Sintonia dos Gravatas”, que reúne o departamento jurídico e o “Quadro dos 14”, uma instância de elite logo abaixo da cúpula, responsável por decisões estratégicas, disciplinares e fiscalização interna. A polícia aponta relação entre esse grupo e atentados, como o que matou o ex?delegado?geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes. Entre sete integrantes listados, está Fernando Gonçalves dos Santos, o Azul ou Colorido, preso, e o empresário Mohamad Hussein Mourad, o Primo, foragido, suspeito de fraudes bilionárias no mercado de combustíveis e negando vínculo com o PCC.
Ao todo, a Dipol estima que 61 dos 100 integrantes da cúpula estão presos. Os investigadores também apontam aliados da facção entre traficantes, como Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, e Caio Bernasconi Braga, o Fantasma da Fronteira ou Berlusconi. Pela primeira vez, um empresário aparece associado ao PCC: Mourad é investigado pela Operação Carbono Oculto, mas continua foragido.
As informações, incluídas com dados do Estadão Conteúdo, revelam um organograma extenso com várias sintonias atuando desde o controle de operações nas prisões até a coordenação de ações externas. O documento descreve uma rede complexa, com funções específicas distribuídas entre áreas de comando, fiscalização, logística e finanças.
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